O mercado do feijão encerrou a semana sem grandes mudanças, com pouca liquidez e preços estáveis. Segundo o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, o feijão carioca continua travado há mais de 30 dias, por causa da oferta restrita e da baixa qualidade dos grãos.
De acordo com ele, muitos lotes apresentam umidade abaixo de 12% e impurezas, o que aumenta a quebra no beneficiamento e reduz o interesse de compra.
O abastecimento do atacado paulista vem principalmente de Minas Gerais e Goiás, com grãos da terceira safra. Esses produtos chegam em menor volume, mas com qualidade fraca, o que pressiona o escoamento.
Os preços permaneceram praticamente estáveis: o feijão extra foi negociado entre R$ 260 e R$ 270 por saca, e o comercial entre R$ 190 e R$ 240. No interior de São Paulo, o preço FOB ficou em R$ 258 por saca, e em Sorriso (MT), em R$ 194. As variações da semana foram pequenas e refletiram ajustes técnicos.
“A ausência de compradores e o baixo giro no varejo mantêm o mercado parado, com vendas pequenas e esporádicas”, disse Oliveira.
Ele acredita que pode haver uma leve reação nos preços no fim do ano, conforme diminui a oferta da terceira safra e se aproxima a safra das águas. Mas essa recuperação depende da melhora na qualidade e de um consumo mais firme no varejo.
No feijão preto, o quadro é semelhante. A oferta é ampla e a demanda fraca, o que pressiona as cotações. O analista destaca que falta produto extra de qualidade, já que muitos produtores seguram os melhores lotes. No Paraná, o feijão preto Extra Tipo 1 foi cotado entre R$ 150 e R$ 155 por saca, e em Santa Catarina chegou a R$ 131.
A safra 2025/26 está 74% semeada no Paraná e mais lenta no Rio Grande do Sul, onde a área plantada caiu 36% em relação ao ano passado. Mesmo assim, as lavouras têm bom vigor.
A crise de crédito rural ainda preocupa, dificultando o financiamento da produção. As exportações crescem, mas não o suficiente para aliviar o excesso de oferta.
Oliveira prevê que o mercado do feijão preto continuará estável no curto prazo e pode reagir no início de 2026, com menos oferta. Ele recomenda cautela na venda e atenção aos sinais do consumo e do câmbio.