Mais arrobas com nutrição para bovinos em ambientes de estresse térmico

João Menezes
30/10/2024 08h28 - Atualizado em 30/10/2024 às 08h28
Mais arrobas com nutrição para bovinos em ambientes de estresse térmico
Foto: João Menezes
O estresse térmico é uma preocupação significativa na produção de bovinos, especialmente em regiões tropicais como o Brasil, onde as temperaturas elevadas podem impactar diretamente a saúde e o desempenho dos animais. Embora raças zebuínas, como o Nelore, sejam mais adaptadas ao calor, fatores como umidade, intensidade solar e a disponibilidade de sombra ainda podem contribuir para situações de estresse.

Os bovinos possuem mecanismos fisiológicos para dissipar calor, como a vasodilatação e a transpiração, mas esses mecanismos têm limites. Quando a temperatura ambiente supera a capacidade de resfriamento do animal, o estresse térmico se instala. Isso pode resultar em aumento da temperatura corporal, maior frequência respiratória e perda de apetite, impactando negativamente a eficiência alimentar e, consequentemente, o ganho de peso.

O estresse térmico pode levar a uma redução no consumo de ração, prejudicando o crescimento e a produção de carne. Existem dados na literatura que mostram que quando a temperatura ambiente está entre 25 e 35 °C, temos a redução de 3 a 5% do consumo de matéria seca. Além disso, quando essa temperatura ambiente passa de 30 °C, temos o aumento da frequência respiratória e da respiração pela boca e, consequentemente, o aumento do requerimento de manutenção. Em condições severas, pode haver aumento na incidência de doenças, além de comprometer a reprodução, resultando em menores taxas de concepção e aumento do intervalo entre partos.

Em sistemas de pastejo, os animais têm acesso à sombra natural e podem se mover livremente, o que ajuda a reduzir o estresse térmico. No entanto, a qualidade da pastagem e a disponibilidade de água são cruciais. Durante períodos de calor intenso, a oferta de forragens de alta qualidade e a possibilidade de suplementação com alimentos mais calóricos se tornam essenciais para mitigar os efeitos do estresse.
No confinamento, os bovinos estão mais expostos a condições controladas, mas a gestão do ambiente é crucial. Sistemas bem ventilados e acesso a sombra artificial são técnicas utilizadas para reduzir a temperatura interna. A utilização de sombra é um meio de reduzir a exposição à radiação solar direta. Uma simples estrutura de sombra pode reduzir a carga de calor radiante em 30% ou mais, por meio da interceptação da radiação solar direta e, com isso, reduzir perdas de mortalidade em condições extremas, melhorar ganho de peso dos animais, eficiência alimentar e ganho de carcaça.

Dietas ricas em energia e proteína podem ajudar a compensar a diminuição do consumo, promovendo ganhos de peso adequados mesmo sob condições adversas. A dieta com alto teor de gordura pode ser utilizada em confinamento para melhorar o desempenho de animais, pois é eficiente para reduzir a ingestão de matéria seca e não prejudica o ganho de massa corporal dos animais (Tabela 1).

Tabela 1 - Peso vivo inicial e final, espessura de gordura, período de confinamento, ingestão de matéria seca, ganho médio diário e eficiência alimentar de bovinos de corte confinados alimentados com dietas de baixo e de alto teor de gordura (Souza et al, 2009)



O uso de dietas mais calóricas é uma estratégia eficaz para melhorar o desempenho animal em condições de estresse térmico. A inclusão de ingredientes energéticos, como grãos e subprodutos, em especial aqueles ricos em óleo como o caroço e a gordura protegida podem aumentar a densidade energética das dietas, compensando a redução no consumo.

Em períodos de estresse térmico, a suplementação com minerais e vitaminas, especialmente antioxidantes, pode ajudar a melhorar a resistência do animal ao estresse e a manutenção da função imunológica.

O manejo adequado do estresse térmico em bovinos, tanto em pastagens quanto em confinamento, exige uma abordagem integrada que considere aspectos nutricionais, ambientais e de manejo. A implementação de estratégias que garantam conforto térmico e a oferta de dietas balanceadas são fundamentais para maximizar o desempenho e a produtividade dos animais, especialmente em regiões tropicais.
 

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