21/03/2024 às 14h21min - Atualizada em 21/03/2024 às 14h35min

FS mira mercado internacional com certificação para combustível de aviação

POR ESTADÃO CONTEÚDO
ESTADÃO CONTEÚDO

Cuiabá, 21 - A FS, a Fueling Sustainability, começou a explorar novas oportunidades de mercado, com ênfase na exportação, com a recente conquista de certificado internacional para a produção do combustível sustentável para aviação (SAF, na sigla em inglês) a partir do etanol de milho, o que deve fazê-la atuar para fortalecer a presença global do produto.

A Certificação Internacional de Sustentabilidade e Carbono (ISCC) atesta que o processo de produção da FS atende aos requisitos internacionais para a produção e fornecimento de etanol e óleo de milho para fabricação de SAF, combustível inserido nos esforços para reduzir emissões de gases do efeito estufa.

Embora outras empresas brasileiras também tenham essa certificação, como Raízen, São Martinho, BP Bunge, Adecoagro e Usina Coruripe, a FS foi a primeira companhia do mundo a obter essa certificação utilizando etanol de milho. Além disso, a certificação destaca que a matéria-prima utilizada para produzir o biocombustível, o milho de segunda safra, evita o desmatamento e as emissões resultantes da conversão de terras para a agricultura.

"Essa certificação nos coloca em outro patamar de mercado. O etanol pode desempenhar um papel crucial na aviação civil, oferecendo uma solução para a utilização de combustíveis sustentáveis por aeronaves", afirmou Victor Trenti, gerente-executivo de Nutrição Animal da FS.

Nesta quinta-feira, 21, a FS participa da primeira edição da Conferência Internacional Unem Datagro sobre Etanol de Milho, em Cuiabá (MT), reunindo especialistas para discutir tecnologia, inovação, sustentabilidade, bioenergia e produção de alimentos. A empresa, que vai liderar um painel sobre sustentabilidade no evento, identifica um grande mercado a ser desenvolvido para a produção de SAF, já que o consumo de querosene de aviação é estimado em 400 bilhões de litros anuais, de acordo com a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata).

Além disso, há perspectivas favoráveis de margens para o SAF, especialmente por se tratar de um mercado emergente. "Esta é a nova fronteira no desenvolvimento de combustíveis. Embora não haja muitas plantas de SAF no mundo, há muitos projetos em andamento. Este deve ser o grande assunto em termos de combustíveis para os próximos cinco anos", acrescentou Trenti.

Executivos da FS revelaram que, após a obtenção da certificação internacional para a produção de SAF, a empresa agora está com foco em determinar como e para onde fornecer o etanol de milho para a fabricação do combustível, algo que ainda não ocorre dentro do Brasil. Em seguida, o objetivo será expandir a presença do etanol de milho para fora do País. "Nosso objetivo é abastecer o mercado interno com etanol de milho, enquanto exploramos as oportunidades proporcionadas por certificações como esta", disse Trenti.

O destino provável do etanol de milho da FS é a Costa do Golfo dos Estados Unidos, onde a Summit Agricultural, principal acionista da empresa brasileira, e a Honeywell estão construindo uma usina para a produção de combustível de aviação utilizando etanol, prevista para ser inaugurada em 2025, de acordo com anúncio realizado em maio.

A FS é a terceira maior produtora de etanol no Brasil. A oportunidade de contribuir para a produção de SAF surge em um momento oportuno, considerando que os últimos meses foram desafiadores para a empresa. Nos nove primeiros meses da safra 2023/24, a empresa registrou um prejuízo de R$ 260,6 milhões, em comparação com um lucro de R$ 709,9 milhões no mesmo período da safra anterior, resultado principalmente da queda nos preços do etanol.

Apesar dos desafios, a empresa mantém seus planos de expansão em Mato Grosso. Com três unidades produtivas já em operação no Estado (em Lucas do Rio Verde, Sorriso e Primavera do Leste), a FS planeja abrir mais três unidades até 2027, nos municípios de Querência, Campo Novo e Nova Mutum, com a estratégia de estar a um raio de até 150 quilômetros dos fornecedores de milho. A última planta construída, em Primavera do Leste, teve custo de R$ 1,9 bilhão, financiado por meio da emissão de dívidas.

Com os novos investimentos, a FS planeja aumentar sua capacidade de produção de 2,2 bilhões de litros de etanol para 5 bilhões de litros por ano. Com a certificação obtida, parte desse volume poderá ser destinada à fabricação de SAF.

*O repórter viaja a convite da Datagro e da União Nacional de Etanol de Milho (Unem)


Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO
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