Venda de veículos recua 5,8% em agosto ante o mesmo mês de 2020

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08/09/2021

A falta de semicondutores continua afetando a indústria automobilística e se refletiu no resultado das vendas de agosto. No mês passado, foram licenciados 172,8 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), uma queda de 5,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

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No acumulado do ano, por outro lado, houve crescimento de 21,9% nas vendas, para um total de 1,42 milhão de veículos emplacados de janeiro até agosto. A base de comparação é baixa em razão das paralisações das fábricas em 2020, em consequência do início da pandemia.

Os estoques continuam caindo em razão da escassez de componentes elétricos. Na divulgação dos resultados nesta quarta-feira, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que o nível disponível nas fábricas e concessionárias (76,4 mil veículos) é suficiente para 13 dias de vendas, o mais baixo desde que a entidade começou a registrar esses dados.

Um dos destaques deste ano é o expressivo avanço na venda de utilitários esportivos. Esse tipo de veículo atualmente representa 41% do mercado brasileiro e supera a soma de vendas de modelos hatch e sedã. Outro destaque é a venda de carros elétricos e híbridos, que somou 3,8 mil unidades em agosto (3,6 mil só de híbridos).

A Anfavea também chama a atenção para as vendas de caminhões. Com 13 mil unidades, o resultado de licenciamentos em agosto foi o melhor desde dezembro de 2014. O agronegócio, com transporte de grãos, é o que tem puxado a demanda nesse segmento.

Produção

O nível de produção na indústria automobilística também tem caído em razão da escassez de semicondutores. Com 164 mil unidades, a produção em agosto ficou 21,9% abaixo do mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, o resultado, de crescimento de 33% (1,47 milhão de veículos), revela a base de comparação muito baixa nessa mesma época em 2020.

Moraes estima que a falta de semicondutores acarretará numa perda de produção entre 240 mil e 280 mil veículos no país neste ano. No mundo, estudos projetam a perda de produção entre 7 milhões e 9 milhões de veículos em 2021.

Nível de emprego

O nível de emprego na indústria automobilística também está em queda. Trabalham hoje no setor 103 mil profissionais. Isso representa uma queda de 0,3% em relação ao quadro de um ano atrás. Há dois anos, trabalhavam na indústria automobilística 108,5 mil profissionais e, em agosto de 2018, o quadro totalizava 113 mil pessoas.

“Temos feito nossa parte para manter os empregos”, afirmou nesta quarta-feira o presidente Anfavea.

Exportações

Com crescimento da demanda na Colômbia, Chile e Peru, principalmente, as exportações de veículos produzidos no Brasil têm avançado. Com 29,4 mil unidades, o resultado de agosto mostra crescimento de 5,5% na comparação com o mesmo mês de 2020. Isso representou receita de US$ 688,6 milhões, uma alta de 33,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Com 253,3 mil veículos, as exportações acumuladas no ano até agosto apresentaram crescimento de 43,5% ante 2020. A receita somou US$ 4,9 bilhões.

Moraes destacou estimativas apontadas por analistas dando conta de que, a depender do nível da balança comercial do país, o dólar deveria estar em torno de R$ 4,30. Para ele, a instabilidade na política e na economia provocam alta no câmbio. O dirigente lamentou também o fato de o país ter capacidade de exportar alimentos para o mundo, enquanto muitos “passam fome aqui”.

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