Varejo restrito cresce 1,2% em julho, acima do teto das estimativas, de 1,1%

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10/09/2021

O volume de vendas no varejo restrito subiu 1,2% em julho, frente a junho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10).

O resultado veio acima do intervalo das projeções coletadas pelo Valor Data junto a 28 consultorias e instituições financeiras, de -0,6% a +1,1%, com mediana de +0,5%.

Foi o quarto crescimento consecutivo do indicador, fazendo com que o volume de vendas do comércio chegasse ao patamar recorde da série histórica da PMC, iniciada em 2000. Entre abril e julho, o indicador acumulou ganho de 8,1%.

Na avaliação do gerente da PMC, Cristiano dos Santos, o movimento reflete tanto fatores que favorecem o consumo — crédito e aumento da ocupação — como alguns que prejudicam – renda em queda e inflação elevada.

“Há fatores pendendo para os dois lados da balança. O crédito às famílias ainda está crescendo e há aumento da ocupação, mas a inflação também está crescendo, o que toma um pouco da capacidade de compra das famílias, e o rendimento real caiu. No segundo trimestre, foi uma queda de 3%”, afirma ele.

Revisão

Em junho, frente a maio, o comércio avançou 0,9%, após uma revisão forte do dado inicialmente divulgado, de queda de 1,7%, mudança explicada pelo ajuste padrão da série, provocada pelo algoritmo de dessazonalização, segundo o IBGE.

Na comparação com julho de 2020, o varejo restrito avançou 5,7%, acumulando alta de 5,9% em 12 meses e de 6,6% em 2021.

A receita nominal do varejo restrito acumulou alta de 2,2% em julho, frente a junho. Na comparação com julho de 2020, houve alta de 19,7%.

No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças, e material de construção, o volume de vendas subiu 1,1% na passagem entre junho e julho, já descontados os efeitos sazonais.

Os analistas de 24 bancos e consultorias esperavam queda de 0,6%, segundo a mediana das estimativas para esse grupo, que iam de queda de 1,9% a alta de 1,0%.

Na comparação com julho de 2020, o volume de vendas do varejo ampliado subiu 7,1%.

Já a receita nominal do varejo ampliado avançou 2,3% em julho, frente a junho, na série com ajuste sazonal. Na comparação com julho de 2020, houve alta de 22,4%.

Atividades

As vendas do comércio avançaram em cinco das oito atividades pesquisadas no varejo restrito, que não inclui automóveis e material de construção, em julho, frente a junho, de acordo com o IBGE.

Segundo os dados da PMC, na comparação com julho de 2020, foram quatro das oito atividades com alta.

Na passagem entre junho e julho, os destaques positivos foram outros artigos de uso pessoal e doméstico (19,1%), tecidos, vestuário e calçados (2,8%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,2%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%).

Por outro lado, as atividades que tiveram recuo no volume de vendas de junho para julho foram livros, jornais, revistas e papelaria (-5,2%), móveis e eletrodomésticos (-1,4%) e combustíveis e lubrificantes (-0,3%).

No varejo ampliado, que inclui automóveis e peças e material de construção, houve variação de 0,2% em veículos, motos, partes e peças e queda de 2,3% no material de construção, na série com ajuste sazonal.

Recuperação

“Ainda temos cinco atividades do varejo restrito com patamar abaixo do que era visto antes da pandemia. É um comportamento muito diferente entre os setores”, afirma Santos.

Quando se considera o varejo ampliado, que inclui automóveis, motos, partes e peças e material de construção, são seis das dez atividades com nível de vendas abaixo do pré-pandemia.

As vendas de combustíveis e lubrificantes, por exemplo, estão 23,5% abaixo do pré-pandemia, enquanto equipamentos e material para escritório, informática e comunicação se encontram 26,7% inferiores a fevereiro de 2020. Também com patamar inferior ao pré-pandemia em dois dígitos estão tecidos, vestuário e calçados (-18,2%) e livros, jornais, revistas e papelaria (-70%). Completam as atividades no campo negativo móveis e eletrodomésticos (-4%) e automóveis, motos, partes e peças (-3,8%).

Por outro lado, as quatro atividades do comércio que já se encontram com vendas acima do pré-pandemia são outros artigos de uso pessoal e doméstico, que tem o melhor desempenho, 54,1% acima. O setor engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias e lojas de artigos esportivos e de brinquedos, com uma oferta diversificada, portanto, de produtos.

A atividade de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, por sua vez, está 41,5% superior ao pré-pandemia, enquanto a de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo se encontra 6,2% acima de fevereiro de 2020. As vendas do setor de material de construção, favorecido nos últimos meses com reformas puxadas pela permanência de pessoas trabalhando de casa através de home office, estão 14,5% acima do pré-pandemia.

Unidades da Federação

Das 27 unidades da federação, 19 apresentaram alta no volume de vendas em julho, em relação a junho, com destaque para Rondônia (17,5%), Santa Catarina (12,5%) e Paraná (11,1%). Por outro lado, houve quedas em sete unidades, entre elas Minas Gerais (-2,1%), Rio Grande do Norte (-1,5%) e Amazonas (-1,4%).

Frente a julho de 2020, houve expansão no volume de vendas em 20 das 27 unidades da federação. Chamam atenção os resultados de Rondônia (35,8%), Piauí (25,5%) e Mato Grosso do Sul (18,0%). Por outro lado, os destaques negativos foram Amazonas (-9,7%), Maranhão (-8,1%) e Ceará (-6,7%).

Artigos pessoais

O aumento de 19,1% das vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico foi a principal influência para a alta de 1,2% do varejo na passagem em julho ante junho, segundo o IBGE. O setor engloba lojas de departamentos, óticas, joalherias e lojas de artigos esportivos e de brinquedos, com uma oferta diversificada, portanto, de produtos.

“A principal influência do comportamento do varejo em julho é o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico. São principalmente as grandes cadeias de lojas de departamento, que vendem vestuário, calçados, eletrodomésticos e eletroeletrônicos, muitos produtos. Inclui também lojas de esportes, joalherias e outras”, afirma Santos, lembrando que este foi um dos setores mais afetados do início da pandemia por causa do fechamento das lojas físicas.

“Depois disso, ainda em 2020, o que há é um fenômeno de adequação de investimento das empresas, e há uma reação das vendas”, pondera.

Em março de 2021, por exemplo, no auge da segunda onda da pandemia, o setor também foi penalizado, com queda de 15,2% das vendas. Já em abril reagiu, com alta de 21,5%, seguida por aumento de 6,3% em maio. Em junho, houve recuo de 2,5%, compensado agora com o ganho de quase 20%.

Outra influência positiva para o desempenho do varejo na passagem entre junho e julho foi a alta de 2,8% no segmento de vestuário e calçados, que ocorre após queda de 14,1% em março – refletindo também a segunda onda da pandemia -, aumentos de dois dígitos em abril (18,6%) e em maio (11,1%) e recuo de 4,3% em junho.

Setor com mais peso no comércio varejista, de mais de 40%, os hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram variação de 0,2% em julho, ante junho, mas Santos classifica o desempenho mais como uma estabilidade. “É um comportamento mais perto da estabilidade”, diz ele.

Supermercados

O desempenho das vendas de supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo em julho foi afetado pela inflação, afirmou Santos.

O impacto fica claro ao se comparar a diferença entre o aumento de 1,4% da receita do setor com a variação de 0,2% nas vendas, classificada por ele como estabilidade.

“Comparando o crescimento na receita nominal e no volume de vendas, você pode ver que tem impacto forte [da inflação]. Houve 1,4% de crescimento na receita e no volume vai a 0,2%. Tem uma pressão inflacionária bastante forte de junho para julho, que afeta os supermercados”, diz ele.

Quando se considera apenas o segmento de hipermercados e supermercados – sem incluir produtos alimentícios, bebidas e fumo -, há estabilidade no mês de julho (0%), após alta de 1% em maio e queda de 0,5% em junho.

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