Varejo restrito cai 3,1% em agosto, após forte revisão de julho, diz IBGE

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06/10/2021

O volume de vendas no varejo restrito caiu 3,1% em agosto, frente a julho, na série com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

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A queda é a mais intensa para os meses de agosto da série histórica da pesquisa, que teve início em 2000. Para a série histórica como um todo, é a terceira maior perda, atrás apenas de abril de 2020 (-18,4%) e dezembro de 2020 (-6,1%).

O recuo ocorre após forte revisão do dado de julho da série com ajuste sazonal. Em julho, frente a junho, o comércio tinha avançado 1,2% inicialmente, mas o dado foi revisado para alta de 2,7%. Segundo o gerente da pesquisa, Cristiano Santos, a revisão se deve apenas ao ajuste sazonal do indicador. Ele explica que a pandemia alterou os padrões de comportamento do comércio, o que tem trazido revisões mais intensas dos dados na série com ajuste sazonal.

“A pandemia retirou a estabilidade dos indicadores econômicos. É um fenômeno de tão grande amplitude que as estabilidades que existiam antes até agora não voltaram”, diz.

Com o dado de agosto, o patamar de vendas do comércio está apenas 2,2% acima do pré-pandemia, em fevereiro de 2020. O desempenho é bem inferior ao de julho, quando estava 5,5% acima do nível do início do ano passado. “Entre os setores, não há um comportamento homogêneo”, comentou Cristiano Santos.

As vendas recuaram em seis das oito atividades pesquisadas no varejo restrito. Os destaques negativos foram outros artigos de uso pessoal e doméstico (-16,0%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,7%), e combustíveis e lubrificantes (-2,4%). Por outro lado, registraram crescimento tecidos, vestuário e calçados (1,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,2%).

Na comparação com agosto de 2020, o varejo restrito caiu 4,1%. O comércio restrito acumula alta de 5% no resultado acumulado em 12 meses até agosto e de 5,1% nos primeiros oito meses de 2021.

Os resultados vieram na direção contrária da mediana das estimativas coletadas pelo Valor Data junto a 31 consultorias e instituições financeiras, que era de uma alta de 0,6% na comparação com julho, com intervalo das projeções indo de -1,4% a +1,2%. A queda de 4,1% ante agosto de 2020 também foi um resultado menor que o esperado. A expectativa mediana era de variação de 2%, com intervalo entre queda de 0,3% e alta de 5,2%.

A receita nominal do varejo restrito acumulou queda de 1,8% em agosto, frente a julho. Na comparação com agosto de 2020, houve queda de 1,4%.

No varejo ampliado, que inclui as vendas de veículos e motos, partes e peças, e material de construção, o volume de vendas caiu 2,5% na passagem entre julho e agosto, já descontados os efeitos sazonais. Os analistas de bancos e consultorias esperavam queda de 0,6%, segundo a mediana das expectativas coletadas pelo Valor Data, com intervalo de -1,6% a +0,7%.

No varejo ampliado, foram quatro das oito atividades com queda. Houve alta de 0,7% em veículos, motos, partes e peças e queda de 1,3% no material de construção, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com agosto de 2020, o volume de vendas do varejo ampliado ficou estável. A expectativa, pelo Valor Data, era de 2,5%. O intervalo das estimativas ia de 0,1% a 4,8%.

Já a receita nominal do varejo ampliado recuou 1,4% em agosto, frente a julho, na série com ajuste sazonal. Na comparação com agosto de 2020, houve alta de 15%.

Das dez atividades que compõem o varejo ampliado, apenas quatro estão acima do patamar pré-pandemia. São eles: construção civil (13,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (12%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,2%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios e bebidas (1,6%).

Entre os setores com pior desempenho frente ao pré-pandemia estão livros, jornais, revistas e papelaria (-37,4%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-14,8%).

Locais

Das 27 unidades da federação, 24 apresentaram queda no volume de vendas em agosto, em relação a julho, com destaque para Rondônia (-19,7%), Paraná (-11,0%) e Mato Grosso (-10,9%). Por outro lado, no campo positivo, figuram 3 das 27 Unidades da Federação: Ceará (2,0%), Maranhão (1,0%) e Roraima (0,3%).

Frente a agosto de 2020, houve queda no volume de vendas em 24 das 27 unidades da federação. Chamam atenção os resultados de Amapá (-14,2%), Acre (-13,5%) e Paraíba (-13,2%). As três UFs com taxas positivas foram Mato Grosso do Sul (5,9%), Espírito Santo (5,3%) e Piauí (3,7%).

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