Uma em cada cinco adolescentes já sofreu abuso sexual, diz IBGE

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10/09/2021

Uma em cada cinco estudantes brasileiras de 13 a 17 anos diz já ter sido tocada, manipulada, beijada ou ter tido partes do corpo expostas contra a sua vontade. Os meninos também enfrentam este tipo de abuso sexual, embora em proporção bem menor: a parcela é de 9%, menos da metade do percentual de 20,1% das meninas. As informações são parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense) 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No geral, 14,6% dos estudantes de 13 a 17 anos narraram terem sofrido algum tipo de violência sexual pelo menos uma vez na vida. Os relatos são mais frequentes entre os estudantes da rede privada do que entre aqueles da rede pública (14,4%), e os agressores costumam ser pessoas próximas às vítimas. Namorado ou namorada (29,1%) é a relação que aparece com mais frequência, seguida por amigos (24,8%), pessoas desconhecidas (20,7%), outros familiares (16,4%) e pai, mãe ou responsável (6,3%).

Além disso, 6,3% dos adolescentes disseram já terem sido obrigados a ter relações sexuais pelo menos alguma vez contra a sua vontade. Em 68,2 dos casos desse tipo de violência, o estudante tinha 13 anos ou menos no episódio. Também nessa situação, as meninas sofrem com mais frequência: 8,8% afirmaram já terem sido forçadas, frente a uma parcela de 3,6% dos meninos. Nesse caso, a ocorrência foi mais alta entre os estudantes da rede pública (6,5%) do que da rede privada (4,9%).

O abuso sexual pode criar diversas consequências para os jovens, inclusive o abandono escolar, alerta Cristiane Soares, uma das analistas da pesquisa. “É preciso estar atento. Muitas vezes caracterizado como “brincadeira”, a importunação ou assédio sexual pode assumir contornos de estupro e levar as vítimas ao medo e ao abandono escolar, por exemplo. Esse tipo de violência pode ter várias consequências para os jovens, podendo criar uma cultura permissiva quando tais atos não são vistos como sérios e passíveis de punição”, diz ela.

Uma das grandes dificuldades de se enfrentar o problema, destaca, é a proximidade dos agressores. “Os agressores, na grande parte das vezes, são pessoas do ambiente doméstico das vítimas ou pessoas com quem elas têm relação de afetividade. Isso provoca um sentimento de desamparo e de não ter a quem recorrer. O adolescente sente que não tem com quem falar sobre o que está acontecendo com ele”, aponta a analista, defendendo a importância das políticas públicas de escuta, acolhimento, acompanhamento e orientação.

Para além da violência sexual, a pesquisa também acompanhou indicadores ligados à violência física em geral. Pelo menos 21% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmaram terem sido agredidos pelo pai, mãe ou responsável alguma vez nos doze meses anteriores à pesquisa. A frequência maior desse tipo de agressão se dá mais entre as meninas (22,1%) que entre os meninos (19,9%) e entre os estudantes da rede privada (23,6%) que os do ensino público (20,6%).

Já 13,2% relataram já terem sido vítimas de agressão física perpetrada por outra pessoa que não seja o pai, mãe ou responsável. A proporção de ocorrências é maior entre os alunos da rede privada (16,4%), do que da rede pública (12,7%).

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