Tora para papel e celulose e carvão vegetal crescem 21,3%, diz IBGE

Depois de perder 5% em 2019, setor renasce em 2020

06/10/2021

Tora para papel e celulose e carvão vegetal crescem 21,3%, diz IBGE Crescem os valores dos produtos e subprodutos da silvicultura brasileira, informa o IBGE (Foto: Pixabay)

Depois de o país perder 5% no valor da produção da silvicultura em 2019, ela cresceu 21,3% em 2020, chegando a R$ 18,8 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pela Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Silvicultura são as florestas plantadas e o extrativismo.

Segundo o pesquisador da área de agricultura do IBGE, Carlos Alberto Guedes, a desvalorização do câmbio deixou os produtos e subprodutos brasileiros da silvicultura, atrativos para o mercado externo. Houve aumento de demanda e de preços. Os resultados positivos são considerados a recuperação do setor.

Os destaques são para a produção de carvão vegetal que cresceu 37,8% e para madeira em tora para papel e celulose, com variação positiva de 25,6%. Esses produtos foram valorizados nas Estatísticas de Preço e Mercado (valor dao).

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) a produção de madeira em tora para papel e celulose cresceu 10,7% em 2020 depois de perder 14,2% em 2019. Alcançou R$ 5,8 bilhões, com aumento de 25,6%. É o sétimo item em exportações totais do Brasil.

O carvão vegetal, segundo lugar no valor da produção da silvicultura, com R$ 5,4 bilhões, tem seu crescimento explicado pelo aumento dos preços, já que a produção cresceu apenas 2,7%. Com a alta na demanda da China pelo ferro-gusa, a indústria siderúrgica, principal mercado consumidor de carvão vegetal, se voltou para a exportação.

“Boa parte dos produtos da silvicultura é exportada. Com a desvalorização do real frente ao dólar, fica mais barato para os países comprarem os produtos do Brasil. Esta questão cambial acaba influenciando no valor de produção, pois o aumento do dólar torna o produto mais caro no mercado interno”, explica Guedes.

 

Extração vegetal

Entre os produtos da extração vegetal, açaí e erva-mate continuam na liderança. Com uma produção de 220,5 mil toneladas, o açaí teve crescimento de 17,8% no valor da produção, que atingiu R$ 694,3 milhões. É o produto com a maior participação (46,3%), em termos de valor, nesse grupo. Já o valor da erva-mate atingiu R$ 559,7 milhões, um aumento de 38,8% na comparação com 2019.

Os principais municípios no ranking de valor de produção mostram, no topo, Limoeiro do Ajuru, no Pará, o maior produtor nacional de açaí extrativo, respondendo sozinho por 19,5% do total nacional. Em segundo lugar, Colniza, no Mato Grosso, é líder na extração vegetal de madeira em tora. Cruz Machado, no Paraná, é o maior produtor de erva-mate e concentra 15,5% do total nacional, seguido por São Mateus do Sul e Bituruna.

Entretanto, o destaque ficou por conta do crescimento do pequi, com um aumento de 127,9% no volume e 122,7% no valor da produção. Os principais estados produtores são Minas Gerais, que respondeu por 51,8% do volume nacional, e Tocantins, com 39,7%. “O pequi passou a ter outras formas de comercialização agregando valor: polpa, conserva, castanha, óleo, farinha, etc. Isso fez com que a cultura atingisse novos mercados”, comenta Alfredo Guedes.

O pesquisador explica ainda outro fator: a política de garantia de preços mínimos dos produtos da sociobiodiversidade, o que incentiva a coleta do fruto. O pinhão, que se destacou entre os produtos não-madeireiros da extração vegetal, também está incluído nesse programa do governo. Houve aumento tanto em volume (13,1%), quanto em valor (44,5%).

Da Redação, com IBGE.

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