Tensão política limita recuperação do Ibovespa, que se descola novamente do exterior

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

30/08/2021

A crescente tensão entre os poderes da República mantém os agentes do mercado financeiro com o sinal de alerta ligado e impede uma recuperação pronunciada do Ibovespa. Segundo analistas, o reflexo dos riscos locais é observado na performance negativa do principal índice local, enquanto os pares em Nova York e na Europa vão apresentando desempenho mais positivo.

Às 16h50 o Ibovespa operava em queda de 0,81%, aos 119.705 pontos, após mínimas intradiárias de 119.354 pontos. Em Nova York, o S&P 500 operava em alta de 0,47%, o Dow Jones caía 0,14% e o Nasdaq tem ganhos de 0,93%. Na Europa, o Stoxx 600 fechou em alta de 0,07%.

De acordo com participantes do mercado, as declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no fim de semana mantiveram a temperatura política de Brasília elevada. Neste sábado, ele afirmou que teria apenas três alternativas para seu futuro: ser preso, morto ou a vitória.

Na avaliação de um gestor de renda variável, a fala aumenta a pressão para as manifestações marcadas para o dia sete de setembro. “Eu diria que essa semana vai ser de atenção para essas manifestações, com a maioria reduzindo os riscos”, afirma.

Na visão dele, caso o presidente tivesse apaziguado os ânimos, o mercado teria reduzido a percepção negativa de que alguma coisa muito importante poderia ocorrer durante o evento político, abrindo espaço para uma recuperação. “Com o presidente jogando lenha na fogueira, é difícil o mercado ficar mega positivo”, conclui.

Para a Levante Ideias de Investimentos, a possível desfiliação do Banco do Brasil e da Caixa da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) pode ser uma outra fonte de pressão para o setor. “No diagnóstico do mercado, a ruptura entre a entidade e dois dos maiores agentes bancários poderia desestruturar a tradicional articulação do setor. Enquanto parte dos investidores entendem que o manifesto é, de fato, fator de pressão política, outros enxergam a saída do BB e da Caixa como fruto de ingerência e temem isolamento após a decisão”, escreve a Levante.

Os bancos operavam em queda. Os papéis do Banco do Brasil ON recuavam 0,62%, enquanto as ações do Bradesco PN caíam 0,64%. Itaú PN operava em queda de 0,36% e as units do Santander caíam 0,22%.

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