“Tempestade perfeita” perde força e Ibovespa sobe forte com pechinchas

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

24/08/2021

Depois que uma “tempestade perfeita” castigou a bolsa brasileira nas últimas sessões, afastando-a das altas do exterior, a aparente calmaria no cenário em Brasília abre espaço para os investidores voltarem às compras, aproveitando as pechinchas. O esvaziamento da expectativa em torno da redução dos estímulos monetários nos Estados Unidos, as declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, e a alta no preço do minério de ferro contribuem para o alívio dos negócios locais.

Como resultado, o Ibovespa é negociado em alta firme desde a abertura do pregão, ganhando ímpeto até recuperar a faixa dos 120 mil pontos, indo aos 120.463 pontos na máxima até então. Na mínima, o índice à vista segurou-se ao redor da estabilidade.

Às 16h20, o Ibovespa subia 2,44%, aos 120.340 pontos. No mesmo horário, em Nova York, os índices Dow Jones e S&P 500 tinham alta bem mais moderada, de 0,25% e de 0,29%, nesta ordem.

“A bolsa tem um dia de repique, acompanhando os últimos dias bastante positivos no exterior”, resume o chefe de renda variável da Valor Investimentos, Romero Oliveira.

Ele lembra que as incertezas fiscais e os ruídos políticos estão azedando o humor dos mercados domésticos.

Porém, declarações do presidente da Câmara, defendendo o pagamento da dívida dos precatórios dentro do teto dos gastos e confirmando o adiamento da reforma do Imposto de Renda, intensificaram o ritmo de alta da bolsa. “O mercado já estava animado com notícias vindas do exterior, em especial da China”, comenta um operador de renda variável.

Ele se refere-se à alta de mais de 6% do minério de ferro cotado no porto chinês de Qingdao, enquanto no mercado futuro em Dalian a alta da commodity metálica foi de 2,27%. Em reação, Vale ON subia 4,10%, voltando a ser cotada acima de R$ 100.

O comportamento da mineradora embalava as siderúrgicas. CSN ON tinha alta de 5,81%, Gerdau PN ganhava 4,20% e Usiminas PNA saltava 7,34%, figurando entre os destaques de maiores altas. No topo da lista positiva, estava Gol PN (+9,99%), seguida por Embraer ON (+8,17%) e CVC ON (+6,18%), pegando carona nos ganhos do setor aéreo no exterior.

Na outra ponta, havia poucos destaques negativos, com as perdas lideradas por JBS ON (-2,84%), em meio à disputa com o bilionário australiano sobre os planos do frigorífico de estrear no negócio de pescados. O setor de saúde também figurava entre as maiores baixas.

Para Oliveira, da Valor, o principal catalisador para o renovado apetite por risco entre os ativos emergentes é a revisão das apostas sobre o início da redução dos estímulos por parte do Federal Reserve. “Os investidores passaram a questionar os planos do Fed de reduzir os estímulos, em meio à desaceleração do crescimento econômico”, diz.

“E o [presidente do Fed, Jerome] Powell deve dar um direcionamento nesse sentido em Jackson Hole”, diz o chefe de renda variável, referindo-se ao simpósio de banqueiros centrais no fim desta semana.

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