Temor com crise da Evergrande leva Ibovespa a ter forte baixa

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

20/09/2021

Os temores relacionados às dificuldades da Evergrande, a segunda maior incorporadora da China, e os impactos de uma desaceleração no crescimento econômico do país disparam uma onda de aversão global ao risco, refletida na queda dos principais índices acionários do mundo e no preço das commodities. Perto das 15h10, o Ibovespa recuava 3,20%, aos 107.879 pontos, afastando-se do menor patamar do ano, de 107.319 pontos (de 2 de março). Na mínima, ficou em 107.520 pontos.

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O dólar comercial, por sua vez, tinha alta e estava na casa de R$ 5,35, depois de alcançar R$ 5,36 na máxima.

O mercado olha com preocupação para as dificuldades financeiras enfrentadas pela Evergrande e os riscos de contágio para outras companhias e segmentos da economia do país, que já mostrava certo abrandamento nos últimos meses. Com isso, o preço do minério de ferro desabou 8,8% no porto de Qingdao, para US$ 92,98 por tonelada.

Diretamente afetadas por um possível arrefecimento da economia chinesa, Vale ON recuava 5,37%, Bradespar PN caía 6,04% e CSN ON cedia 4,80%. Usiminas PNA e Gerdau Metalúrgica PN também demonstravam fraqueza, recuando 4,31% e 4,01% respectivamente.

A maior queda, no entanto, é PetroRio ON, que cede 8,77%, enquanto Petrobras ON recuava 3,71%. Os preços do petróleo também caíam na sessão.

Uma das maiores incorporadoras do mundo, a chinesa Evergrande tem dívidas de mais de US$ 300 bilhões e, sem o socorro habitual do governo chinês, pode não conseguir honrar seus compromissos. Segundo a consultoria Capital Economics, a companhia não é a única incorporadora da China em quadro de forte alavancagem, mas, por possuir grande dependência de dívida de curto prazo, fica especialmente vulnerável a um aperto nas condições de crédito.

Este temor chegou aos mercados emergentes porque se a empresa não honrar seus compromissos, outras corporações podem sofrer um efeito cascata. Tanto as chinesas como as exportadoras, que podem ver uma queda na demanda.

“A siderurgia na China já estava desacelerando nos últimos meses, com o governo controlando os preços, e o caso da Evergrande chama atenção por conta do tamanho”, diz Daniel Sasson, analista de Commodities do Itaú BBA.

“Agora precisaremos esperar um pouco para entender o real impacto no Brasil e nos emergentes, mas não dá para escapar da volatilidade. As empresas brasileiras não fazem hedge para o minério, então estão expostas aos preços spot. Mas já se vê, na média, analistas revisando os preços para baixo até 2022.”

“Eu até considero que a queda das empresas brasileiras que possuem maior relação com a China tem mais a ver com a mudança de postura do governo chinês, que tenta controlar os preços das commodities. Mas em um dia como hoje é difícil apontar apenas uma razão”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Investidores também olham, mesmo que com menos atenção, para a agenda da semana.

Há anúncios do Copom e do Fed sobre política monetária e, localmente, o mercado aguarda a resolução de imbróglios políticos e econômicos por parte do governo federal.

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