Riscos fiscais impõem forte alta às taxas de juros futuros

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13/08/2021

Embora tenham se afastado das máximas do dia, os juros futuros chegam nesta tarde de sexta-feira em forte alta, que se espalha ao longo de toda a curva a termo. O movimento mais forte é visto nos trechos de longo prazo, no momento em que alguns vértices se firmam acima de dois dígitos diante da escalada nos riscos fiscais e políticos, que continuam no centro das atenções dos agentes do mercado em um cenário de retomada da atividade econômica e de pressões inflacionárias intensas, ao menos no curto prazo.

Assim, por volta de 13h40, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 6,58% no ajuste anterior para 6,595%; a do DI para janeiro de 2023 avançava de 8,25% para 8,32%; a do contrato para janeiro de 2025 escalava de 9,24% para 9,35%; e a do DI para janeiro de 2027 saltava de 9,63% para 9,76%.

Em trechos de prazo ainda mais longo, os juros se firmaram em dois dígitos: a taxa do DI para janeiro de 2029 passava de 9,89% para 10,04%; e a do DI para janeiro de 2031 aumentava de 10,09% para 10,24%. É preciso lembrar, contudo, que a liquidez na parte mais longa da curva é mais baixa do que nos trechos curtos e intermediários.

Influenciado pelas perspectivas em torno das contas públicas, o mercado de juros voltou a ser penalizado pelo ambiente ruidoso no Brasil. Assim, a curva brasileira não conseguiu acompanhar a queda dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo nos Estados Unidos e voltou a sofrer com forte alta nas taxas longas. O mercado, assim, continua a reprecificar o cenário político e fiscal do país, tendo em vista o adiamento da votação da reforma do Imposto de Renda, as incertezas em torno do pagamento dos precatórios e sobre como ficará o teto de gastos em 2022.

“O mercado está sem parâmetro algum”, afirma um gestor de renda fixa que prefere não se identificar.

Na avaliação do economista-chefe da Porto Seguro Investimentos, José Pena, “a elevação dos gastos públicos é insustentável a longo prazo”. “Quando o Executivo enviar a proposta de Orçamento da União de 2022 ao Congresso no fim deste mês, o valor da despesa pública deve mostrar aumento substancial em relação aos níveis praticados neste ano, potencialmente incluindo valores que ficarão fora do limite imposto pelo teto de gastos”, aponta o profissional.

Pena observa, ainda, que uma parcela relevante do aumento esperado na despesa pública em 2022 deve ter caráter permanente, ou seja, terá impacto no gasto de forma recorrente nos próximos anos. “Sem elevação da receita em nível e padrão semelhante (recorrente), aumenta a preocupação sobre a evolução das contas públicas no médio e no longo prazo, com impacto sobre a taxa de câmbio e, consequentemente, sobre a inflação”, diz o economista. Daí a subida forte observada nos últimos dias nos juros intermediários e longos.

Em relatório enviado a clientes, os estrategistas Claudio Irigoyen e Gabriel Tenorio, do Bank of America, apontam que a precificação na curva de juros de uma alta de 4 pontos percentuais na Selic nos próximos 12 meses é “extrema demais”. Eles, contudo, enfatizam que o momentum é “muito negativo”, dado o viés mais duro do Banco Central e à continuidade da ala das expectativas de inflação. “A maneira mais segura de se posicionar por agora é através de ‘steepeners’”, dizem os estrategistas, ao apontarem para posições que capturem uma maior inclinação da curva de juros, ou seja, uma maior diferença entre as taxas futuras.

Para o BofA, essa seria “uma jogada defensiva antes de uma potencial inclinação da curva de juros americana”. Irigoyen e Tenorio também observam que o real continua desvalorizado e que, assim, pode haver uma nova rodada de apreciação devido ao viés mais conservador adotado pela autoridade monetária. Eles, contudo, apontam que adotariam mais cautela com esse cenário diante dos riscos fiscais no Brasil.

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