Risco político volta a pesar e dólar vai a R$ 5,25

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

12/08/2021

A cautela em relação ao cenário político doméstico deu mais uma vez a tônica dos negócios nesta quinta-feira. O mercado de câmbio até flertou com uma realização no início da tarde. No entanto, esta acabou abortada após a notícia de que a votação do projeto de reforma do Imposto de Renda foi novamente adiada, a pedido de lideranças do Congresso. No fim, a moeda americana fechou em alta de 0,66%, a R$ 5,2564, perto da máxima do dia.

Após insistir em manter a votação do texto hoje, dizendo que seria impossível atender os Estados em relação ao tema, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) voltou atrás e concordou em adiar para terça-feira a apreciação da matéria. O parlamentar reclamou da postura de líderes partidários favoráveis ao postergamento, afirmando que ele só vai servir para que “as corporações continuem a trabalhar dentro da câmara para manter privilégios.”

A dificuldade em emplacar um projeto – que continua a sofrer forte resistência de estados, de parcela do empresariado e de economistas – acaba trazendo ainda mais insegurança aos agentes econômicos, já em alerta diante da possibilidade de enfraquecimento do arcabouço fiscal com fins eleitorais. Esta dinâmica tem angustiado o mercado financeiro nos últimos dias, uma situação que pode se estender “por meses”, nota um gestor local, dado que o tema ainda deve passar por todo o processo de apreciação dos parlamentares antes de ser aprovado.

“A PEC dos precatórios é um desserviço ao país”, diz a equipe de macroeconomia do ASA Investment Bank. “Julgamos que o adiamento/parcelamento do pagamento dos precatórios da União reduz a qualidade do crédito público e pode ter inclusive repercussões negativas sobre a nota de crédito do país”.

Outro fator que pode ter contribuído para a mudança de rota do câmbio no Brasil durante a tarde foi a confirmação de que o Banco Central do México elevou a taxa de juros do país para 4,50% ao ano. Apesar de amplamente esperada, no entanto, a decisão não foi unânime, o que deixa uma sinalização menos ‘hawk’ (inclinada à retirada dos estímulos), nota a Capital Economics.

“A votação apertada sugere que o ciclo de aperto no México irá continuar lentamente apesar das preocupações crescentes com a inflação no país. Isto reforça nossa visão de que a taxa básica no país deve chegara 5,50% no primeiro trimestre de 2022 e que o ciclo terminará mais rápido que a maioria dos investidores espera”.

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