Risco fiscal apaga otimismo pós-Copom e dólar volta a R$ 5,21

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

05/08/2021

O dia positivo que se desenhava para o câmbio brasileiro após o tom duro adotado pelo Banco Central na decisão de ontem do Copom durou pouco. O salto dos juros futuros e os riscos fiscais, que se mantêm em alta e no foco dos agentes do mercado, fizeram com que o dólar ganhasse fôlego e encerrasse o pregão desta quinta-feira em alta de 0,57%, negociada a R$ 5,2135, após ter alcançado R$ 5,2260 na máxima do dia.

A amplitude das oscilações do dólar comercial ajuda a dar dimensão da volatilidade observada no mercado de câmbio nesta quinta-feira. Da mínima de R$ 5,1108 à máxima do pregão, o dólar caminhou mais de R$ 0,11 e se manteve alinhado aos movimentos dos juros futuros. No momento em que o mercado continua bastante sensível aos riscos fiscais, o parecer do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), sobre o novo Refis detonou uma forte aversão a risco, que fez as taxas futuras dispararem e a queda do dólar foi abandonada.

“O Refis não deveria ser tão importante porque já era sabido que o governo queria aprovar bondades e o Rodrigo Pacheco já estava empenhado nisso”, aponta um profissional, que prefere não se identificar, ao se referir ao presidente do Senado. “O que chama a atenção no momento é a materialização do que estava no radar. Era somente uma ideia, mas não um fato. Agora o relator apresentou o texto, que deve ser aprovado, e o Ministério da Economia quer alterar o texto”, diz.

O Refis, assim, entra em um cenário fiscal que já prometia algumas turbulências, ao menos no curto prazo, diante da possibilidade de aumento do Bolsa Família e da questão envolvendo o pagamento dos precatórios.

Em carta referente ao mês de julho, os gestores da Legacy Capital apontam que o teto de gastos “permanece sendo a restrição ativa na política fiscal de curto prazo, como evidenciado pelo aumento na previsão de pagamentos de precatórios à frente, que dificultam o desenho de um programa de renda mais amplo para 2022”.

Na avaliação dos profissionais da Legacy, ainda que a evolução favorável das despesas obrigatórias, em especial os gastos com servidores e previdência, deva contribuir para elevar o espaço extra no teto em 2022 para a casa de R$ 30 bilhões, “o equacionamento da elevada despesa com precatórios será um processo delicado, que poderá consumir todo o segundo semestre, e adiciona mais um elemento de incerteza ao cenário”.

Os riscos fiscais, assim, se mostraram mais fortes do que o tom mais duro adotado pelo Copom na decisão de ontem. Embora a elevação de 1 ponto percentual na Selic já fosse dada como certa pelo mercado, a sinalização do colegiado para os próximos passos da política monetária agradou o mercado e gerou algumas revisões de cenário de algumas casas importantes. O Santander elevou sua projeção para a Selic no fim do ano de 7% para 7,5% e a ASA Investments passou a esperar que o juro básico termine 2021 em 8%, e não mais em 7%.

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