Renegociação de dívidas impede piora de inadimplência, diz CNC

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04/10/2021

O brasileiro tem encontrado maneiras de renegociar dívidas antigas, alongando prazo de pagamento de crédito, para abrir espaço no orçamento e, assim, quitar débitos em dia sem aumentar inadimplência. A análise partiu da economista Izis Ferreira, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), ao comentar os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), anunciada hoje pela entidade. No levantamento, mesmo com parcela de endividamento recorde das famílias observado em setembro, de 74% – o maior desde começo da Peic em 2010 -, não ocorreu piora em inadimplência no mês.

Para exemplificar análise, de maior ritmo de renegociação de dívida entre os brasileiros, a técnica citou um dado da Peic de setembro. No tópico “tempo de comprometimento com dívida”, a parcela dos endividados que respondeu “mais de um ano” foi de 35,6% dos endividados detectados no mês passado. Além de ser a maior parcela entre as cinco categorias de resposta delimitadas pela CNC na Peic nesse tópico, foi a maior fatia, para essa resposta de mais de um ano, desde começo do levantamento em 2010. Ou seja: mais prazo para dívida sugere maior alongamento para pagamento de crédito, notou ela.

A especialista comentou também outro tópico da pesquisa, que pode ser usado para exemplificar essa cadência maior em renegociação de dívidas: o de parcela média mensal de renda comprometida com empréstimos, que ficou em 30,2% em setembro, menor do que a de agosto (30,4%).

Ou seja: na prática, os resultados desses dois tópicos, na Peic em setembro, evidenciam que o brasileiro endividado está conseguindo fazer rearranjos no orçamento, para quitar débitos em dia.

Ao ser questionada sobre futuro dos indicadores de endividamento e de inadimplência, a técnica comentou que as trajetórias futuras de ambos devem caminhar em direções opostas. No caso de endividamento, essa fatia deve continuar a crescer, e bater novos recordes, na Peic. Isso porque o crédito, nos últimos meses, tem sido acessado como recurso para fechar as contas em dia. As famílias brasileiras lidam no momento com crescente avanço da inflação, que na prática corrói o orçamento, observou ela – e não há sinais de que a recente disparada de preços possa arrefecer, de forma expressiva, nos últimos meses do ano.

No entanto, a inadimplência não apresenta sinais de crescimento, pelo contrário, notou ela. A especialista comentou que, para 2021, a expectativa da CNC é de que esses indicadores de não pagadores mostre estabilidade ou até queda. Isso porque a reorganização das finanças promovida pelas famílias endividadas, com renegociação de débitos, deve durar até o fim do ano. “Nossa expectativa é que a parcela de endividados com dívidas em atraso na Peic fique em 25% até o fim do ano” disse. Em setembro, essa fatia era de 25,5%. “Não esperamos explosão da inadimplência”, completou.

Mas a técnica admitiu que o mesmo não pode ser dito com certeza para 2022. A especialista reconheceu que ainda há muitas incertezas rondando a atividade econômica para o próximo ano, que ainda é de eleições, ou seja, de maior turbulência na área política. Outro aspecto mencionado por ela é a atual trajetória crescente em juros e em Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que tornam menos atrativo acesso ao crédito e também renegociações.

Entretanto, a economista pontuou que, caso ocorra alta na inadimplência em 2022, com esperado recuo ou estabilidade nesse indicador em 2021, isso na prática poderia dar margem de manobra para absorver uma possível alta nesse tópico, no ano que vem.

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