Recuo de Bolsonaro reverte humor da sessão e faz Ibovespa escalar 3 mil pontos

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

09/09/2021

O Ibovespa caminhava para amargar mais um fechamento negativo, até que a carta publicada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), adotando um tom conciliador reverteu completamente o humor da sessão. Mesmo pressionado por dados de inflação maiores do que o esperado, o principal índice da bolsa local foi impulsionado pelo alívio do primeiro sinal de arrefecimento na tensão política e escalou cerca de 3 mil pontos em poucos minutos.

O Ibovespa terminou o dia em alta de 1,72%, aos 115.360,86 pontos, nível muito distante das mínimas do dia, quando marcou 112.435 pontos, em queda de 0,86%. O volume financeiro agregado negociado na B3 hoje foi de R$ 39,09 bilhões.

O documento assinado por Bolsonaro sinalizou um recuo por parte do presidente ao indicar que, apesar de suas divergências com o ministro Alexandre de Moraes, “as questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal”, escreveu.

“O Bolsonaro sabe que precisa amenizar o tom das críticas para ter, por exemplo, uma aprovação no postergamento dos precatórios, porque senão não haveria espaço para pleitear o Bolsa Família”, afirmou o sócio da Monte Bravo, Rodrigo Franchini.

“Foi um sinal de bandeira branca, que tinha que vir de alguma parte. E acho que Bolsonaro sentiu que não dava para governar sem ter essa facilidade de trânsito entre os poderes”, completou o executivo.

Para o gestor da Infinity Asset Fernando Siqueira foi a primeira sinalização depois de muito tempo para se tentar um diálogo com outros poderes. “Com isso, os papéis de mais risco, de caráter mais cíclicos, passaram a performar melhor e até a Suzano, que é um dos nomes mais defensivos da Bolsa, passou a operar em queda”, afirmou.

As ações da Suzano ON fecharam em queda de 0,54%, e, junto com Vale ON e Bradespar PN, que recuaram 0,38% e 0,36%, foram as únicas companhias do Ibovespa que encerraram o dia em alta.

Outros gestores, que preferem ser mantidos em anonimato, apontam que a sinalização é positiva, mas ainda é necessário acompanhar por quanto tempo vai se manter a postura mais conciliadora do presidente.

Para além da tensão política, o dia também foi marcado por novas surpresas negativas da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 0,87% em agosto, acima da linha da mediana das projeções de 35 instituições financeiras e consultorias, ouvidas pelo Valor Data, de avanço de 0,70%. No acumulado de 12 meses, o IPCA ficou em 9,68% em agosto, ante 8,99% acumulados até julho – a maior taxa em 12 meses desde fevereiro de 2016.

“A inflação veio mais alta do que o esperado e a composição não é boa. O pico da inflação deve ser em setembro, com a inflação já na casa dos dois dígitos. Para o fim do ano, temos uma inflação de 8%, mas com claro viés de alta após os números de hoje”, afirmou o diretor de pesquisas para América Latina do BNP Paribas, Gustavo Arruda. “O Banco Central tem uma situação complicada pela frente”, resume.

Com a surpresa na inflação, as taxas de juros de mercado exibiram alta expressiva ao longo de toda a sessão e pressionaram os ativos de renda variável.

“Quando você tem uma taxa de juros média para 2022 de 9,30%, 10,70% para 2023 e 11% para os anos seguintes, fica muito difícil apostar em outras classes de ativos. A nossa aposta é que os prêmios de risco e os prêmios de medo na curva de juros estão exagerados. Se isso for verdade, o mercado tende a achar um chão e se recuperar até o fim do ano”, afirma o diretor de investimentos da Kilima Asset, Eduardo Levy, que pondera, contudo, que isso também depende de um clima político mais tranquilo.

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