Reabertura e falta de insumos mantêm volatilidade da indústria, dizem economistas

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05/10/2021

A perda de ímpeto da indústria em agosto reforça a percepção de mudança no mix da recuperação heterogênea da economia na medida em que os serviços ganham força, afirmam Marcos Caruso e Lisandra Barbero, economistas do Banco Original.

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“A recuperação da atividade econômica como um todo deve seguir heterogênea, com os setores mais sensíveis à falta de insumos performando pior (como é o caso da indústria de transformação) e os mais correlacionados com a reabertura das atividades econômicas e com o ciclo de vacinação performando melhor (como o setor de serviços, especialmente de alojamento e alimentação – bares, hotéis e restaurantes)”, dizem, em relatório, os economistas.

A desaceleração do setor industrial nos últimos meses, acrescentam os economistas, deve continuar e será reflexo de obstáculos já conhecidos, como as dificuldades para fornecimento de insumos, a retirada gradual de estímulos adotados na pandemia, aumento da taxa básica de juros e a crise energética.

Com queda de 0,7% na passagem de julho para agosto, a produção industrial, agora, acumula seis leituras negativas nos últimos sete meses. “Em resumo, bens intermediários e de consumo contraíram na margem, com destaque principalmente para bens de consumo duráveis, que têm perdido fôlego refletindo a antecipação do consumo durante a pandemia e a redistribuição dos recursos que, até então, vinham sendo alocados unicamente para o consumo de bens para o consumo agora também de serviços”, dizem Caruso e Lisandra.

Em análise semelhante, a consultoria Parallaxis afirma que o avanço na reabertura de serviços tem levado à reorientação da demanda, antes concentrada em bens industriais.

“Os estoques começaram a se normalizar, conforme indicam as pesquisas antecedentes, o que também sugere um viés de baixa para a atividade do setor. Além disso, o desarranjo da oferta (por exemplo da cadeia de veículos) e elevação dos custos dos insumos também reforçam esta tese de viés de baixa e de volatilidade da produção fabril”, dizem economistas da consultoria, em relatório.

Deste modo, a Parallaxis prevê que os próximos meses sejam marcados por “volatilidade” no desempenho da produção industrial, mas que ainda deverá resultar num crescimento ao fim deste ano de 6%.

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