Raia Drogasil quer entregar mais rápido e fazer cliente gastar mais

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

11/08/2021

A Raia Drogasil (RD) tenta montar um sistema de entregas mais rápidas integrando “marketplace”, sites e lojas próprias. Para desenvolver essa estrutura, a rede de farmácias vê como desafios a logística e o efeito inicial dos investimentos sobre a rentabilidade. Segundo a empresa, 72% dos envios de itens comprados no on-line são entregues em até quatro horas, mas o nível de exigência dos consumidores cresceu rápido e é preciso reduzir esse prazo.

  • Raia Drogasil relata volume de vendas “nada excepcional”

“São mais de 600 lojas [que operam como hubs de armazenagem de itens para venda on-line] e 40 mil pedidos ao dia. O desafio é reduzir para menos de quatro horas. Como fazer para loja e marketplace trabalharem juntos? E como fazer loja ser um hub logístico? Isso é um desafio imenso”, disse Marcílio Pousada, presidente da RB.

O grupo hoje tem 2,3 mil farmácias no país. No marketplace, são 171 lojistas e 40 mil itens (eram 28,6 mil em março). Mas a ideia é aumentar muito esse número de vendedores. “Não seremos um marketplace de 30, 40 mil sellers como vemos por aí em outras redes. Nosso perfil é outro, somos uma rede de foco em bem-estar e saúde e não um marketplace mais geral”, disse ele.

A respeito das referências em ecossistemas digitais que a empresa segue no Brasil, Pousada diz que tem uma rede fazendo um bom trabalho, “uma varejista de outro ramo”, que tem sido um padrão para a Raia Drogasil.

Outro desafio são as varejistas regionais que têm modelos on-line próprios e oferecem serviços em certas praças. Em número de acessos de clientes no aplicativo e site, a RD é de duas a cinco vezes maior que suas concorrentes nacionais, segundo dados que a empresa mostrou em teleconferência.

A Raia Drogasil ainda informou nesta terça-feira o lançamento de uma plataforma de saúde chamada Vitat, que combina portal, aplicativo e um espaço nas lojas, com essa marca. O aplicativo começa com 25 programas voltados para alimentação saudável, exercícios, sono, saúde mental, por exemplo.

Ainda deve oferecer serviços de teleorientação médica, nutricional, psicológica e física. “Além disso, o aplicativo permitirá o acompanhamento do histórico do cliente por meio de uma carteira unificada de saúde e o agendamento de serviços nos Espaços Vitat”. A empresa planeja cobrar mensalidade pelo uso mais à frente – agora, com o aplicativo com mais limitações, ele é gratuito.

Nas lojas, o espaço Vitat terá testes rápidos, “monitoramento de parâmetros clínicos e a orientação de profissionais farmacêuticos treinados.”

A empresa já oferece certos testes que são vendidos nas lojas, mas, como deve cobrar futuramente para os clientes que assinarem essa plataforma, é possível que tenha que criar mais vantagens para que o consumidor aceite desembolsar por isso.

Ao longo de 2021, a RD quer ter esse espaço em 20 lojas. Até 2022, todas as filiais da Drogasil e da Droga Raia estarão conectadas ao aplicativo Vitat. A intenção é que esse cliente passe a comprar mais nos “apps” da rede, use a loja como área de retirada de compras (as lojas da RD já tem clique e retire), e ainda utilize os programas de fidelidade para que gaste mais na varejista.

“Clientes gastam de 20% a 25% a mais após se digitalizarem”, disse Eugênio De Zagottis, vice-presidente da rede.

Perguntada por analistas sobre dados financeiros do digital, a empresa disse que ainda são de pequena relevância e não deve relatá-los “tão cedo”.

A cadeia ainda informou a compra de 100% da Cuco Health, startup fundada em 2016 e com foco em ferramentas que levem o cliente a manter seu tratamento médico, de forma a que ele mantenha seus gastos em saúde. Muitas vezes, consumidores abandonam o tratamento, e com isso compram menos itens nas farmácias. Quem é inscrito no Cuco recebe lembretes para tomar medicação, por exemplo. O valor da transação não foi divulgado.

A RD lucrou R$ 266,4 milhões no segundo trimestre de 2021, alta de 442,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, um dos mais fracos para a cadeia em 2020.

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