Quase 40% de estudantes entre 13 e 17 anos frequentam escolas sem condições para lavar mãos

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

10/09/2021

No pré-pandemia, quase 40% (38,5%) dos estudantes brasileiros entre 13 e 17 anos frequentavam escolas que não tinham nem pia ou lavatório em condições de uso nem sabão para lavagem de mãos.

  • Leia mais: Gravidez na adolescência é mais frequente em escolas públicas e no Nordeste

O número reflete principalmente a situação de quem estudava em escolas públicas: entre esses estudantes, a parcela dos que frequentavam escolas sem infraestrutura adequada neste quesito era de 44,6%, ante 2,5% daqueles em escolas privadas.

  • Leia mais: Maioria dos estudantes entre 13 e 17 anos passa mais de 3 horas sentado no tempo livre

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (10), e mostram as dificuldades encontradas na infraestrutura dessas escolas.

  • Leia mais: Saúde mental de adolescentes é alvo de preocupação e maior entre mais velhos e mulheres

A maior dificuldade é a oferta de sabão, item apontado por profissionais de saúde como essencial para a boa lavagem das mãos e para a prevenir o contágio de determinadas doenças, como a covid-19.

Quase a totalidade dos estudantes (96,3%) estudavam em escolas com presença de pia ou lavatório, mas a proporção era de apenas 62,2% no caso de oferta de sabão.

No indicador que inclui as duas características – presença de pia e oferta de sabão -, as piores situações apareciam no Nordeste e no Norte, com apenas 60,4% e 65,4% dos estudantes nas com os dois quesitos, respectivamente.

Os demais índices eram de 69,5% no Sul, 59,3% no Sudeste e 56,6% no Centro-Oeste.

O gerente de Pesquisas Especiais do IBGE responsável pela pesquisa, Marco Antonio Ratzsch Andreazzi, ressalta que o estudo dá um ponto importante de referência imediatamente antes da pandemia, capaz de fornecer importantes parâmetros no sentido de orientar políticas de recuperação e promoção de saúde para este grupo importante, que é o de adolescentes.

“Nos ajuda a avaliar fatores de riscos e problemas que já existiam e eram importantes antes da pandemia e que se agravaram sobremaneira durante a pandemia e que precisam com urgência de providência no sentido de serem enfrentados. Questões tão simples como ter pia, água e sabão para lavar as mãos, que poderiam ser irrelevantes, mas ganham uma importância maior nesse momento”, afirma ele.

Considerando apenas os estudantes da rede pública dessa faixa etária, a situação é pior nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, em que apenas 49,9%, 54,9% e 63,1%, respectivamente apontaram que havia pias ou lavatórios em condições de uso e oferta de sabão. As condições são melhores no Sul (65,5%) e Sudeste (50,9%).

Para além da infraestrutura inadequada, a pesquisa mostrou, ainda, barreiras no hábito de lavagem das mãos antes das refeições e depois do uso do banheiro.

Em 2019, 13,8% dos estudantes de 13 a 17 anos nunca ou raramente lavaram as mãos antes de comer, taxa próxima aos 13,4% observados em 2015. Há uma significativa diferença, segundo o IBGE, entre aqueles que frequentam escoladas da rede privada e da rede pública: as taxas são de 16,6% e 13,4%, respectivamente.

Outro aspecto apontado foi que 5,9% dos estudantes dessa faixa etária nunca ou raramente lavavam as mãos após o uso do banheiro, o que mostra melhora frente aos 7% de 2015.

Para uma lavagem completa das mãos, é necessário também o uso do sabão ou sabonete. No entanto, 8,4% dos estudantes de 13 a 17 anos nunca ou raramente usavam sabonete ao lavar as mãos, nível sem alteração frente a 2015, segundo o IBGE.

Categorias:

Tags:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *