Preocupação com China acende alerta e dólar sobe

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

20/09/2021

As preocupações envolvendo o potencial destrutivo da possível quebra da Evergrande na China seguem monopolizando as atenções dos investidores nesta segunda-feira. No Brasil, a cautela mantém em alta o dólar, que tocou o patamar de R$ 5,36 na máxima.

Por volta das 15h30, a moeda americana avançava 1,27%, a R$ 5,3537, após máxima intradiária de R$ 5,3608.

“A saga da Evergrande tem trazido preocupações crescentes sobre o sistema financeiro chinês e o possível contágio para demais praças”, notam analistas do Brown Brothers Harriman. Eles ponderam, por outro lado, que o grosso da repercussão tem se dado sobre a bolsa de Hong Kong até o momento e que uma intervenção pesada das autoridades locais diminui a chance de um colapso à la Lehman Brothers.

“Se tal ação irá funcionar e evitar uma crise como a do subprime nos Estados Unidos é algo impossível de responder neste momento. O lado bom dessa crise é que os órgãos reguladores estão a par da situação envolvendo a Evergrande e outras empresas do setor há bastante tempo. Agora será a hora de descobrir o que a expressão ‘grande demais para falir’ significa na China”, acrescenta o banco americano.

Vale lembrar que os eventos na China ocorrem em uma semana em que a sensibilidade dos investidores já é alta por causa das decisões de juros do Copom e também de outros grandes bancos centrais lá fora, em especial, do Federal Reserve.

“O Fed parece comprometido a reduzir os estímulos. No entanto, nossa avaliação é que, mesmo com a redução do volume de compra de ativos, as condições financeiras permanecerão nos níveis mais relaxados em 15 anos”, avalia o TD Securities. O banco canadense acredita que, com uma primeira alta de juros acontecendo apenas em 2023, o risco de um dólar forte emergir novamente é baixo nesse contexto.

No Brasil, a semana começa sem grandes eventos e o investidor acompanha, em segundo plano, as discussões que tratam do cenário fiscal para o curto e médio prazo e também em relação ao Copom. “A curva de juros deve seguir em foco com o mercado “ancorado” nas apostas de +100 pontos base (praticamente telegrafadas por Roberto Campos Neto) versus a colocação de prêmio de risco, que naturalmente tende a seguir sendo adicionado em vértices intermediários com maior magnitude”, diz a Commcor em nota.

Segundo o Wells Fargo, o real está entre as moedas mais sensíveis a uma desaceleração forte e sustentada da China, juntamente com o rand sul-africano, o rublo russo, o zloty polonês e os pesos do México e da Colômbia. Em uma regressão utilizando dados desde 2016, os economistas do banco encontraram que este grupo tem uma sensibilidade superior a 0,9 às variações do yuan, ou seja, uma desvalorização de 1% da divisa chinesa resultaria em uma depreciação de ao menos 0,90% dessas moedas.

Já em relação ao mercado acionário, o Wells Fargo encontrou uma correlação apenas “moderada” entre Brasil e China. Neste caso, os países que se encontram em maior risco seriam Cingapura, África do Sul e Coreia do Sul.

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