Pecuária bovina de corte precisa se rearranjar após suspensão de compras

O país precisa ter alternativas para não ficar refém

16/11/2021

Pecuária bovina de corte precisa se rearranjar após suspensão de compras Mercado do boi gordo e em crescimento (Foto: Divulgação) (Foto: Pixabay)

Segundo análise do analista e consultor de mercado do site especializado Safras & Mercados, Fernando Henrique Iglesias, durante palestra na II SAFRAS Agri Week, evento em formato virtual, realizado na semana passada, sem as importações chinesas, o Brasil começou a rearranjar o segmento a partir da nova situação imposta pela suspensão das exportações de carne bovina para a China.

Para ele, a redução do nosso mercado doméstico foi decisiva. “No entanto, ainda há um grande foco de preocupação, uma vez que as câmaras frigoríficas estão lotadas, aguardando por uma posição do governo chinês. Nossa dependência em relação à China, podemos dizer, é uma faca de dois gumes… Sua ausência, mesmo que temporária, gerou uma crise enorme na pecuária de corte”, assinalou.

Safras & Mercado assinala que o final de ano para o mercado da carne bovina brasileira é bastante “agitado”. A ausência da China promoveu profundas alterações e grandes e rápidas alterações por parte de produtores e de frigoríficos em suas estratégias numa alteração do dia para a noite com o anúncio com os casos atípicos da doença da vaca louca no Brasil. A suspensão das exportações é automática para cumprir protocolo sanitário entre os dois países. Só não se esperava que a suspensão durasse tanto tempo.

“A situação segue bem delicada apesar da reação que vimos nas últimas semanas. O mercado está se readequando com a ausência da China, se focando mais na demanda doméstica, enquanto a carne que teria como destino os portos chineses foi estocada e os frigoríficos aguardam por uma sinalização das autoridades de lá. Assim, no interior de São Paulo, por exemplo, a arroba do boi saiu rapidamente de 270 reais para 300 reais. Mas não sabemos se essa reação continuará por muito tempo. Tudo vai depender de como os frigoríficos irão trabalhar com esses estoques que estão parados. É um volume muito grande que terá que ser escoado, ou para a China, ou para o mercado doméstico. Nesse último caso, os preços da carne simplesmente derreteriam, tamanha é a oferta que está armazenada. Estamos à mercê da China. É muito difícil encontrar outro comprador tão importante, com o mesmo apetite da China… Não há outro mercado assim…”, apontou Iglesias.

Diante da conjunta, conclui-se que a pecuária bovina de corte brasileira precisa construir alternativas à China.

 

Da Redação.

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