Novilha produz 3,6 mil litros de leite em 305 dias e ganha concurso nacional

Embrapa informa que a média anual hoje é de 1,6 litros por animal

16/09/2021

Novilha produz 3,6 mil litros de leite em 305 dias e ganha concurso nacional Preço pago ao produtor recua em outubro. (Foto: Divulgação)

Duas novilhas do rebanho do Centro de Tecnologia em Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) venceram a 5ª edição da Prova Brasileira de Produção Leiteira à Pasto. A média da produção de uma novilha é de 1,6 mil litros ao ano. A novilha (BRGY 87 batizada como Freda Cerrados), que ficou em primeiro lugar, produziu em 305 dias, 3,6 mil litros. Foram 8 novilhas premiadas. A segunda colocada, também fruto de experiências da Embrapa, e produziu uma quantidade muito próxima da primeira colocada, no mesmo período.

A pesquisadora Isabel Ferreira, supervisora do CTZL, lembra que Freda da Cerrado é filha de um animal já avaliado na prova e com boa produção. “Nós vemos que houve um ganho genético nessa linhagem”, destaca A segunda colocada, BRGY 77 Fortuna da Cerrados, também se destacou em persistência de lactação e menor escore de células somáticas.

Essa é a única prova de leite a pasto de todo o Brasil. O objetivo é identificar animais geneticamente superiores para produção de leite. Para Sebastião Pedro, chefe-geral da Embrapa Cerrados, o leite produzido a pasto é o mais sustentável do mundo. “O Brasil precisa de genética melhorada própria para as condições dos trópicos […] Esse é o quinto passo nessa direção de identificar animais com genética para esse desafio de produção de leite a pasto no Cerrado”.

Durante os 305 dias que os animais ficam no pasto, mês a mês, é feito o controle leiteiro, seguindo as normas da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Um diferencial da prova é que as mensurações são feitas sem uso de fármacos exógenos para indução da lactação. A lactação é estimulada apenas pela presença do bezerro.

Além da produtividade, outros atributos são considerados: persistência da lactação; conformação racial; teores de proteína e gordura no leite; contagem de células somáticas; idade ao primeiro parto; intervalo entre parto e concepção. Também é feita a genotipagem dos animais para alelos A1 e A2 da beta caseína para os pecuaristas que têm interesse em produzir a bebida com menos teor alergênico.

A pesquisadora explica ainda que apesar de a prova ter o foco principal na quantidade de leite produzido, esses outros parâmetros também são muito importantes para o pecuarista. Por isso, além das novilhas com o melhor desempenho na produção de leite, foram destacadas as que apresentaram maior persistência de lactação, menor idade do primeiro parto, maiores teores de sólidos totais do leite e menor intervalo entre parto e concepção.

Animais elite e superior

Seu Hamilton Nunes é participante assíduo da prova de leite organizada pela Embrapa Cerrados em parceria com a Associação dos Criadores de Zebu do Planalto (ACZP). Para o pecuarista de Luziânia (GO), o diferencial dessa atividade é que a Embrapa avalia parâmetros que os criadores não conseguem avaliar na fazenda. Ele explica que só a observação não é suficiente: “Em geral, avaliamos os animais pela sua cor, pela aparência física. Mas a filha da melhor vaca, às vezes, não é o que a gente espera”. Ele aconselha todos os produtores a testarem seus animais para garantir bons resultados econômicos em sua atividade. “Tem gente que desiste da atividade porque falta uma avaliação técnica e responsável”, lamenta.

Ele conta ainda que depois que começou a participar da prova passou a valorizar mais seus animais e entendeu que o gado rústico é o melhor para produção de leite a pasto na região. Na 4ª edição da prova, que foi finalizada em 2020, sua novilha, a Caiana, terminou em segundo lugar, com classificação Elite.

Após a premiação, Marcelo de Toledo, superintendente técnico da ACZP, conduziu o público até o curral, onde explicou os critérios relacionados à conformação racial. “Se a gente pensa em produzir leite a pasto, vamos necessariamente precisar desse material genético”, afirma, apontando para as novilhas premiadas. E completa: “Temos que seguir selecionando essa base, nas condições dos trópicos, para ter um leite economicamente viável e sustentável”.

José Eduardo dos Anjos, produtor rural e veterinário, participante da 5ª edição da prova, lembra que o importante nessa avaliação é descobrir e multiplicar a boa genética. “A Embrapa consegue disponibilizar para os pequenos, médios e grandes produtores uma avaliação com dados fidedignos”, o que possibilita a melhoria dos rebanhos da região.

 

Da Redação.

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