Nota do Ministério sobre exportação para a China pressiona o mercado do boi

Ministério está afirmando que não suspendeu os abates dos frigoríficos que exportam para a China porque as exportações estão suspensas desde de 4 de setembro

21/10/2021

Nota do Ministério sobre exportação para a China pressiona o mercado do boi Ministério da Agricultura afirma que a nota que emitiu uma nota apenas para regular o armazenamento da carne que seria exportada para a china e que está estocada (Foto: Agência Brasil)

A nota do Ministério da Agricultura autorizando a indústria a estocar a carne que seria exportada para a China piorou a cotação da arroba do boi na Bolsa de Mercantil e Futuros. O preço da arroba recuou nesta quarta-feira (20) 0,56% chegando a R$ 267,50. A arroba para a entrega em novembro caiu 1,77%, para R$ 274,00.

O jornal Valor Econômico desta quinta-feira (21) informa que embora o Ministério da Agricultura tenha suspendido as exportações desde a notícia do surgimento de dois casos da doença da vaca louca, dia 4 de setembro, muitos frigoríficos continuaram a abater na expectativa que o país asiático retomasse os embarques rapidamente e escoasse a produção.

Segundo clipping da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto, as plantas tentaram manter o que ela chama de a “roda girando”. Lembrou o histórico de 2019, quando a suspensão durou apenas 13 dias, e a dificuldade de se encontrar contêineres podem ter pesado na decisão.

O Ministério da Agricultura disse em nota distribuída nesta quarta (20) que não houve nenhuma nova orientação aos frigoríficos e que o ofício apenas atendeu ao pedido formalizado pelo setor produtivo para estocar os cortes produzidos antes de 4 de setembro. Mas uma fonte da Pasta admitiu que o documento não seria necessário se as empresas tivessem sido mais cautelosas.

“A exportação foi suspensa por causa da ‘vaca louca’ e as empresas continuaram produzindo sem saber quando retornariam à exportação. E ainda correndo o risco de a retomada da exportação poder ser com produtos produzidos apenas a partir da data de reabertura da exportação”, disse a fonte ao Valor Econômico.

“Hoje as empresas estão abarrotadas de cortes produzidos para a China e não há onde estocar, querem armazenar em condições precárias. Se tivessem feito um planejamento melhor, teriam parado a produção e retomado somente quando voltassem as importações”, reforçou. Lygia Pimentel acredita que a medida ainda poderá ser benéfica para as margens dos frigoríficos enquanto a suspensão continuar.

Ela quis dizer que o preço da carne caiu no atacado e pode beneficiar o mercado interno. “A margem doméstica melhorou para a indústria. Agora [com a decisão do governo], o frigorífico consegue tirar o ‘prêmio China’ das negociações e consegue pagar menos pelo animal” e ele pode ser colocado para o consumidor brasileiro a um preço acessível.

Ao Valor, ela disse que no longo prazo, a analista alerta que a forte interrupção chinesa poderá atrapalhar o planejamento de pecuaristas e frigoríficos. Isso porque os números de confinamento estão caindo desde o embargo. Caso a suspensão demore mais, o fornecimento de carne tenderá a cair e os preços poderão disparar no começo de 2022.

Da Redação.

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