Minério de ferro leva a recuo do IGP-M na 1ª prévia de setembro, aponta FGV

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10/09/2021

A deflação de 1,09% observada na primeira prévia do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) foi causada pelo forte recuo dos preços do minério de ferro e não representa uma tendência para o índice nos meses seguintes. A afirmação é de André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), para quem a inflação “continua espalhada e persistente”.

Excluído o minério de ferro, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do IGP, teria subido 1,08%, em vez da queda de 1,67% registrada na primeira prévia. O impacto do minério no IPA foi negativo em 2,75 pontos percentuais.

“Isso mostra que as pressões inflacionárias seguem, embora mais amenas que no segundo semestre do ano passado, quando câmbio e commodities subiam. Hoje, o câmbio está estável e as commodities desaceleram”, diz Braz. “O movimento é pontual e não revela as pressões que estamos vivendo”, acrescenta, lembrando que o peso do minério de ferro no IPA é de 10,87%.

André destaca ainda que o cenário para a frente é de preços em desaceleração no atacado, o que não significa, porém, que haverá quedas. Ele lembra que a desaceleração esperada para o acumulado em 12 meses — na primeira prévia de setembro o IGP-M acumula 24,30% em 12 meses, enquanto o IPA soma 29,94% — virá mais pela troca de índices “extremamente altos” um ano atrás, quando havia forte pressão de câmbio e preços de commodities.

Nesse sentido, ele ressalta que IPA e IGP-M devem experimentar taxas menores no acumulado em 12 meses continuamente até maio do ano que vem. Braz lembra que, entre setembro de 2020 e maio de 2021, houve taxas mensais constantemente acima dos 2% e até 3%.

A expectativa do economista é que o IGP-M feche 2021 por volta de 18% a 20%, com o IPA marcando cerca de 24%. Em maio, Braz acredita que o acumulado em 12 meses para o IGP-M girará em torno de 6% a 8%, com o IPA próximo a 10%.

Ainda assim, ele frisa que o patamar dos índices seguirá acima do desejável, mostrando, segundo ele, que, depois de experimentarem forte alta, a tendência não é que os preços caiam, mas que se estabilizem em patamares elevados.

Em relação ao Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, a primeira prévia de setembro mostrou alta de 0,65% e Braz alerta que no curto prazo haverá a pressão da bandeira tarifária de escassez, que acrescenta cerca de R$ 14 a cada 100 kw consumidos. A expectativa do economista é que hava um impacto de 0,30 ponto percentual no IPC de setembro, levando o índice a girar em torno de 1% este mês, em um movimento pontual.

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