Líder do MDB no Senado lança dúvidas sobre aprovação da privatização dos Correios

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

12/08/2021

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), disse ao Valor nesta quinta-feira que tem “muitas restrições” ao projeto que quebra o monopólio dos Correios nos serviços postais e permite a privatização da empresa. A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados na semana passada e deve iniciar sua tramitação pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nos próximos dias. Para Braga, não há consenso sobre o assunto no Senado.

“Eu tenho muitas preocupações sobre privatização do Correios. Como é que vamos entregar cartas em São Gabriel da Cachoeira [AM]? Fica a 1.700 km de Manaus e não tem acesso nem por rio, nem por estrada. Como é que vai chegar cartas em Atalaia do Norte [AM], no Estirão do Equador?”, questionou. “Os países de dimensão continental não privatizam seus serviços postais. O correio americano não é privado”, argumentou.

Com 15 senadores, o MDB é a maior bancada da Casa e costuma ser fiel da balança em votações importantes. Braga também afirmou que tem preocupação com a questão dos empregos dos carteiros, tema que não teria sido suficientemente debatido. “Eu estou preocupado com o emprego dos carteiros. Vamos discutir isso na reunião da bancada do MDB. É uma matéria que não está suficientemente debatida. Não há consenso”, complementou.

Pelo calendário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a aprovação do projeto pelo Congresso precisa ocorrer em agosto para que o leilão seja feito pelo governo em abril. O projeto autoriza a venda de 100% dos Correios em leilão.

Inicialmente, o governo cogitava lançar ações em bolsa e ficar com parte do capital da empresa, modelo que repetiria Petrobras e Eletrobras, mas desistiu após avaliar que isso diminuiria o interesse privado na estatal. Além do Congresso, as regras da operação também precisam passar pelo aval do Tribunal de Contas da União (TCU) – o governo espera submeter o modelo de venda em dezembro para avaliação.

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