Café: sazonalidade e condições climáticas podem causar queda de 25,7% na safra

Além das geadas e da seca extrema o Café sofreu a bienalidade, fenômeno que faz a planta produzir bem em um ano e pouco no seguinte

21/09/2021

Café: sazonalidade e condições climáticas podem causar queda de 25,7% na safra Safra de café de 2021 terá quebra de mais de 25% por causa da variação climática (Foto: Divulgação)

A safra brasileira de café vai sofrer uma retração de 25,7% e colher 46,9 milhões de sacas, segundo 3º Levantamento da Safra de 2021 realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e divulgado nesta terça-feira (21). A área plantada cai 4,4% e vai ocupar de 1,8 milhões de hectares.

A Conab informa que o terceiro levantamento foi feito quando 90% da safra havia sido colhida. A quebra tem um fator sazonal, a bienalidade da cultura (um ano produz bem e no outro não) e as condições climáticas que afetaram a cultura em regiões e formas diferentes. A seca e as geadas, em junho e julho. Este último fator influenciou no volume final da produção assim como na área definida para a próxima safra.

Segundo a Conab, “a produção de café arábica está estimada em 30,7 milhões de sacas, 36,9% a menos se comparado ao volume produzido na safra anterior. O conilon, por sua vez, deve alcançar uma produção de 16,15 milhões de sacas, o que indica um aumento de 12,8% sobre o resultado obtido em 2020”, afirma.

A Conab explica que “o café é uma das culturas que possui a característica da bienalidade. Isso significa que um ano a cultura produz um maior número de frutos, o que exige da planta mais nutrientes” e que “no ano seguinte ela recompõe suas estruturas vegetais e reservas, reduzindo sua produção” e “os efeitos fisiológicos nas lavouras ficam mais latentes na fase de produção, especialmente para o café arábica, que é mais sensível a este fenômeno se comparado ao café conilon”.

Por causa dessa bienalidade e das condições climáticas, “Minas Gerais deverá alcançar 21,4 milhões de sacas, uma redução de 38,1% em comparação a 2020. Já a estimativa de colheita para o Espírito Santo deve ser de pouco mais de 14 milhões de sacas, 11 milhões para conilon e 3 milhões para arábica”. Minas é o maior produtor nacional.

A Companhia informa que São Paulo terá uma produção estimada em 4 milhões de sacas de café arábica. Representa uma redução de 35,1%, em comparação à safra anterior, que chegou a pouco mais de 6 milhões de sacas.

A Bahia deverá produzir quase 3,5 milhões de sacas, 13% a mais que no ano de 2020. Rondônia vai colher quase 2,2 milhões de sacas, um decréscimo de 11,3%. No Paraná, a produção está estimada em quase 873 mil sacas de café. O Rio de Janeiro, por sua vez, tem produção esperada de 236 mil sacas, redução de 36,4%. Em Goiás serão 212 mil sacas, 14,4% a menos do que em 2020. Finalmente, Mato Grosso deverá produzir 194 mil sacas. Apenas o estado do Mato Grosso terá aumento de safra, em torno de 22%.

A safra anterior bateu todos os recordes nacionais com 43,9 milhões de sacas de 60 kg na exportação brasileira de café em 2020. A contradição é que os volumes exportados no acumulado dos oito primeiros meses de 2021 atingiram um patamar ainda mais elevado do que o observado em igual período do ano passado, aponta o Levantamento.

De janeiro a agosto de 2021, o Brasil já exportou cerca de 28,4 milhões de sacas de 60 kg em equivalente de café verde, um aumento de 8,7%. Essas exportações tendem a continuar aquecidas em razão da valorização do café no mercado internacional e da taxa de câmbio elevada no Brasil.

Da Redação.

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