Lagarde: Economia da zona do euro segue nos trilhos, mas há longo caminho pela frente

23/07/2021

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou nesta quinta-feira que a recuperação econômica da zona do euro segue “nos trilhos”, mas reconheceu que a ainda há “um longo caminho pela frente” antes que os danos da pandemia sejam revertidos.

Em entrevista após a divulgação do comunicado de política monetária da reunião do BCE, concluída nesta quinta, Lagarde disse que a instituição vê um forte crescimento no terceiro trimestre, com a reabertura econômica e a recuperação dos serviços.

A disseminação da variante delta da covid-19, porém, é uma fonte crescente de preocupação, ameaçando atrapalhar a recuperação do setor de serviços, ela ponderou.

Questionada sobre o novo “forward guidance” do BCE – atualizado para acomodar a nova meta de inflação da autoridade monetária, adotada após a revisão estratégica concluída há duas semanas –, Lagarde disse que a comunicação reflete o desejo de não apertar as condições financeiras prematuramente.

“A revisão da comunicação tem o intuito de indicar que não gostaríamos de apertar as condições financeiras prematuramente. Devemos ter paciência”, disse a banqueira central. Segundo ela, o conselho não aprovou o “forward guidance” novo de maneira unânime.

Lagarde ressaltou também que “muitas empresas e famílias se endividaram durante a crise e uma piora da economia pode ameaçar a sua saúde financeira”. Mais estímulos fiscais “ambiciosos” são necessários, disse.

A presidente do BCE afirmou também que mudanças no programa de compras emergenciais para a pandemia (PEPP) e nas operações de refinanciamento de longo prazo (TLTRO) não foram discutidas na reunião do BCE. Mais uma vez, ela disse que “é prematuro discutir o fim do PEPP ou um programa sucessor”.

Em relação à alta dos preços na zona do euro, Lagarde disse que a inflação deve subir nos próximos meses e cair no ano que vem. As expectativas de inflação estão subindo, mas ainda “há alguma distância” para a meta de 2% ao ano.

“Não queremos forçar uma inflação acima de 2%. Apenas reconhecemos os efeitos que uma decisão de política monetária mais forçosa pode ter sobre os preços, sugerindo uma inflação moderadamente acima da meta de 2%”, esclareceu Lagarde.

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