Juros têm forte queda com precatórios, cena externa e situação hídrica no foco

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

21/09/2021

A perspectiva de que o expressivo volume de precatórios a ser pago em 2022 e o Auxílio Brasil fiquem sob a vigência do teto de gastos contribuiu com uma forte retirada do prêmio de risco dos juros de médio e longo prazo nesta terça-feira (21).

As taxas de tais vencimentos cederam mais de 20 pontos-base (0,2 ponto percentual) contra o ajuste anterior, em pregão no qual os agentes financeiros também avaliaram o viés positivo do mercado internacional mesmo em meio a sinais de desaceleração da economia global e, também, a expectativa de uma primavera marginalmente positiva do ponto de vista hídrico.

No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 tombou de 10,14% para 9,90%, após mínima a 9,87%, ao passo que a do DI para janeiro de 2027 recuou de 10,54% para 10,30%, depois de atingir o menor nível do dia a 10,26% mais cedo.

Na véspera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, o juro de curto prazo, para janeiro de 2022, cujo comportamento é bastante associado às decisões sobre os juros básicos, foi de 7,11% para 7,10%. O contrato deste vencimento era o mais negociado por volta das 16h20, com giro de 850 mil negociações, bem acima da média diária de 2021. A taxa do DI para janeiro de 2023, por sua vez, anotou forte queda, de 9% para 8,845%.

No início da tarde, assim que Arthur Lira, presidente da Câmara, Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, defenderam o regime fiscal e o respeito ao teto de gastos ao tentarem buscar uma solução para o pagamento dos precatórios, o alívio foi mais expressivo no mercado. As taxas, que já adotavam viés de queda, aprofundaram o movimento e foram às mínimas do dia, em movimento semelhante ao observado no dólar contra o real e no Ibovespa, que foi às máximas da sessão.

“A solução encontrada por eles foi a mesma mostrada pelos jornais, mas a fala sobre responsabilidade fiscal ajuda, linha que eles têm seguido”, diz Patricia Pereira, estrategista-chefe da MAG Investimentos. Além disso, estrategistas da XP também apontam que a queda mais firme dos juros futuros se dá, em um momento de ambiente internacional menos expansionista em meio aos recentes temores de desaceleração mais intensa da atividade econômica da China.

Um profissional da mesa de operações de renda fixa de uma gestora também chama atenção para o componente global do movimento dos juros nesta terça-feira. “As taxas de juros estão praticamente fechando no mundo inteiro. A desaceleração da economia global é o grande tema”, diz esta pessoa. O profissional reconhece, ainda, que a perspectiva hídrica mais construtiva contribui para retirar o prêmio de risco associado à inflação da curva a termo.

Cabe destacar que, amanhã, o Copom decide os rumos da política monetária. O mercado de opções digitais, na B3, aponta para 89,5% de possibilidade de uma elevação de 1 ponto percentual na Selic, dos atuais 5,25% para 6,25%, enquanto há 8,8% de chance de uma alta de 1,25 ponto no juro básico.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *