Juros futuros têm forte alta com questão fiscal e risco hídrico no radar

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31/08/2021

Os juros futuros encerraram a terça-feira (31) em forte alta, refletindo os temores de participantes de mercado relacionados à dinâmica das contas públicas, com foco na resolução da questão dos precatórios, e o risco hídrico. Os principais avanços foram observados na parcela longa da curva a termo, onde alcançaram cerca de 20 pontos-base (0,2 ponto percentual) contra o ajuste anterior.

Finalizado o pregão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 6,76% no ajuste de ontem para 6,745%; a do DI para janeiro de 2023 subiu de 8,40% para 8,48%; a do contrato para janeiro de 2025 anotou alta de 9,33% para 9,50% e a do DI para janeiro de 2027 passou de 9,72% para 9,90%. Vale citar também que taxas de maior prazo, como as de contratos de sete e oito anos, voltaram a operar acima do nível de 10% hoje.

Cabe pontuar ainda que os volumes de negociações da sessão desta terça devem superar a média recente. No fim do período regular, o contrato de DI mais negociado era o com vencimento em janeiro de 2023, que tinha giro de 495 mil negócios, só ligeiramente abaixo da média diária desse vértice em 2021, de 503 mil contratos negociados.

Após um alívio forte exibido nos últimos dias, a curva de juros voltou a incorporar prêmio de risco, sobretudo na ponta longa. O momento de deterioração da perspectiva fiscal teve continuidade e se somou à piora nas tensões entre os Poderes e aos temores relacionados à crise hídrica. Durante a manhã desta terça, o gatilho que levou os juros futuros para as máximas foi, justamente, a notícia de que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, fará um pronunciamento hoje à noite.

Para profissionais do mercado, os riscos relacionados à crise hídrica têm aumentado, o que eleva as chances de racionamento. Durante evento na manhã desta terça, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, revelou que o banco passou a projetar 10% de chance de racionamento, mas ressaltou que pode haver períodos de escassez de energia regionalizados no país. Além disso, a depender do valor da bandeira tarifária vermelha 2, que será atualizado hoje, a projeção de inflação do Itaú para este ano pode sair dos atuais 6,9% para algo próximo a 8%, de acordo com o economista.

A gravidade da crise hídrica se acentua em um momento de preocupações fiscais e políticas cada vez mais em alta. “Em vez de fazermos um esforço grande para transformar o bônus de arrecadação maior em algo mais permanente para abater a nossa dívida, estamos vendo um movimento grande do governo e do Congresso para aumentar gastos”, afirma Mariana Dreux, gestora dos fundos macro da Truxt Investimentos.

Ela observa que, após o estresse grande visto no mercado de juros recentemente, houve um alívio técnico nas taxas. “Tivemos uma volta de quase 70 pontos-base de ajuste técnico e com a colaboração do cenário externo, que está muito positivo. Mas chegamos a um ponto em que o cenário interno está, de fato, mudando. Vamos ter de ter uma solução para essa demanda de Bolsa Família maior”, diz a profissional.

Para Dreux, “a ficha do mercado está caindo de que, na ausência de organização do Congresso e do governo, podemos cair em mais crédito extraordinário”. Isso, de acordo com a gestora, ajuda a explicar a abertura da curva de juros nesta terça-feira. A gestora diz ver assimetrias para que, em todos os mercados, haja incorporação adicional de prêmio de risco. Na carteira da Truxt, Dreux afirma que saiu de posições tomadas [aposta na alta das taxas] em juros após o estresse no mercado, já esperando um ajuste técnico. “Agora nós temos um olhar de voltar para essas posições tomadas, mas estamos esperando um pouco mais”, afirma.

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