Juros futuros fecham em queda, em movimento de correção após disparada recente

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20/08/2021

Os juros futuros voltaram a fechar em queda firme nesta sexta-feira (20), ainda em um movimento de correção após o forte estresse observado na curva a termo nesta semana.

O cenário externo contribuiu para uma melhora no desempenho do mercado de juros local, no momento em que há dúvidas crescentes sobre o ritmo de recuperação da economia global. Além disso, em um dia sem indicadores relevantes no Brasil e no exterior, as questões políticas e fiscais permaneceram no foco das atenções dos agentes financeiros.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 6,73% no ajuste anterior para 6,71%; a do DI para janeiro de 2023 recuou de 8,49% para 8,455%; a do contrato para janeiro de 2025 cedeu de 9,72% para 9,59%; e a do DI para janeiro de 2027 passou de 10,17% para 10,02%.

Após uma semana turbulenta, onde boa parte da ponta longa da curva voltou a operar em dois dígitos, o mercado de juros teve a segunda sessão consecutiva de alívio nas taxas. O cenário fiscal e político nebuloso, porém, continua no foco dos agentes e mantém o prêmio de risco elevado, o que deve ter continuidade no curto prazo, de acordo com profissionais de renda fixa, ao menos até que os rumos da reforma do Imposto de Renda e do Orçamento de 2022 estejam mais claros.

Durante a manhã desta sexta, o Valor informou que os dados preliminares da peça orçamentária do próximo ano apontam para um déficit primário de cerca de R$ 70 bilhões. Embora os números ainda possam ser alterados, o valor é bem melhor do que a meta programada para o próximo ano, de R$ 170,47 bilhões. Com um cenário de déficit bem melhor para 2022, a possibilidade de zerar o saldo negativo das contas públicas já em 2023 começa a entrar no radar.

“A curva como um todo segue muito premiada. Não acredito em um cenário de ruptura fiscal e o ambiente externo, no médio prazo, apresenta riscos de uma atividade mais fraca. O juro longo está muito deslocado, ainda mais com dados fiscais positivos na margem”, aponta um profissional de renda fixa de uma grande gestora.

Como indicado por ele, o mercado tem começado a observar com mais atenção as chances de uma desaceleração da economia global, em um processo puxado pela China, após dados recentes bem abaixo do esperado. Em nota semanal, os analistas da BlueLine apontam que, enquanto é esperado que as autoridades chinesas reajam ao enfraquecimento da economia com afrouxamento fiscal e monetário, o movimento deve ser mais comedido “devido à ênfase pela qualidade do crescimento sobre a quantidade, com preocupações sobre o excessivo endividamento dos governos locais e das empresas e seus efeitos sobre a estabilidade financeira”.

Além das preocupações com o ritmo de retomada da atividade chinesa, a queda do dólar e o ambiente favorável a risco no exterior contribuíram para a queima de prêmio na curva de juros nesta sexta-feira. Cabe ressaltar que, após o fechamento do pregão regular, a agência de notícias “Associated Press” relatou que o presidente Jair Bolsonaro teria expressado arrependimento em relação à autonomia do Banco Central.

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