Juros futuros disparam após surpresa inflacionária em agosto

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09/09/2021

Os números bem acima do esperado do IPCA de agosto e a composição da inflação, que mostrou disseminação da alta de preços, detonou uma correção bastante expressiva no mercado de juros, especialmente na parte curta da curva a termo.

As taxas dispararam e, em alguns momentos, chegaram a subir mais de 60 pontos-base, e alguns contratos entraram em leilão durante a tarde desta quinta-feira. Revisões nas projeções de inflação e política monetária pipocaram no mercado e, assim, a curva passou a precificar uma alta de mais de 1 ponto percentual na Selic neste mês.

No fim do pregão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 subia de 6,98% no ajuste anterior para 7,37%; a do DI para janeiro de 2023 disparava de 8,79% para 9,26%, após ter ido a 9,50% na máxima do dia; a do contrato para janeiro de 2025 saltava de 10,07% para 10,28%, após ter alcançado 10,61%; e a do DI para janeiro de 2027 escalava de 10,54% para 10,68%. Em vértices ainda mais longos, a taxa do DI para janeiro de 2031 avançou de 11,01% para 11,11%, após ter ido a 11,50% na máxima.

“O mercado estava precificando que o ciclo de política monetária seria de altas de 100 pontos-base até chegar a algo em torno de 8% no fim do ano. O IPCA de hoje veio muito salgado e quando isso se soma à pressão fiscal e a toda a questão institucional, o mercado não aguenta. Foi um susto muito grande a inflação rodar a 9,7%. O mercado passou a revisar as projeções de inflação para 8% ou mais e isso colocou um ajuste maior da Selic na mesa”, afirma um gestor de renda fixa que prefere não se identificar.

No mercado de opções digitais para a reunião do Copom deste mês, a curva precifica 30% de chance de uma alta de 1 ponto percentual, 37% de possibilidade de um aumento de 1,25 ponto e 24% de probabilidade de uma elevação de 1,50 ponto. Já na curva de juros, nos cálculos do estrategista-chefe da Renascença, Sérgio Goldenstein, há uma precificação de alta de 136 pontos-base na próxima decisão do Copom. Para o fim do ano, a curva aponta para uma Selic em torno de 9%, que chegaria a 10% em 2022.

“O discurso do Banco Central é o de entregar a meta no horizonte relevante, mas com as expectativas de inflação do ano que vem em alta, as pessoas acham que o nível de alta de 100 pontos-base já não é mais suficiente. Como o BC disse que fará o que for preciso, o mercado coloca isso no preço”, diz Pedro Nunes, gestor de renda fixa da ACE Capital. A casa trabalha com um cenário de alta de 1,25 ponto na Selic neste mês, mas com chance de ser uma elevação de 1,50 ponto. Já o nível terminal da taxa no atual ciclo seria entre 9% e 10%.

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