Juros futuros acompanham títulos dos EUA e fecham com leve alta

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05/10/2021

Com o exterior ditando os rumos do mercado local, as taxas dos contratos futuros de juros ganharam leve impulso pelo avanço do retorno sobre os títulos do Tesouro americano (Treasury), que busca renovar os maiores níveis em quatro meses. No fim do pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 operava estável contra o ajuste anterior, a 7,24%, enquanto a do DI para janeiro de 2023 variava de 9,21% para 9,25%. Em vencimentos mais longos, o juro do DI para janeiro de 2025 subia de 10,225% para 10,26% e o do DI para janeiro de 2027 tinha alta de 10,61% para 10,63%.

Às 16h43, o rendimento sobre o Treasury de dez anos subia de 1,482% no fechamento anterior para 1,534%, atrás da renovação dos maiores patamares desde junho. A taxa do Treasury de dois anos saía de 0,274% para 0,290%, enquanto o retorno sobre o título americano de cinco anos subia de 0,946% para 0,980%.

“Juros nos EUA em alta puxam os juros daqui”, diz José Francisco Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “A inclinação [da curva de juros] caiu fortemente, mas fica bem acima de 3,5 pontos percentuais”, nota ele. O economista faz referência à inclinação da curva de juros local dada pela diferença entre as taxas dos contratos de DI de um e de dez anos. O juro de dez anos, do DI para janeiro de 2031, encerrou a sessão regular desta terça-feira em 11,03%.

Em meio à sinalização do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de uma política monetária “significativamente contracionista” com um ciclo de alta de maior magnitude, os atuais preços da curva de juros implicam uma Selic entre 10,25% e 10,50% ao fim de 2022, indica Sérgio Goldenstein, estrategista-chefe da Renascença e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do BC.

Goldenstein avalia, no entanto, que o principal efeito da comunicação do Copom sobre a parte curta e intermediária da curva de juros ocorreu no dia da divulgação da ata da última reunião do comitê, há uma semana. “A pressão posterior foi mais consequência da elevação das taxas dos Treasuries, do aumento do risco inflacionário devido à forte alta do petróleo e das preocupações do mercado com o imbróglio fiscal no país”, diz o estrategista.

Diante de um ambiente propício à elevação dos juros globais, um profissional de renda fixa de um grande banco chama atenção para o impacto na alta dos preços de uma taxa de câmbio mais depreciada, conforme o dólar se aproxima dos R$ 5,50.

“Se o câmbio continuar se depreciando, acredito que haverá preocupação sobre a inflação doméstica, sim. O sentimento de que o crescimento chinês pode perder o ímpeto, por exemplo, poderia levar a um ‘risk-off’ [redução da busca por ativos de risco]”, aumentando, assim, a desvalorização do real, sugere este operador.

O Citi aponta que as moedas da América Latina podem registrar um desempenho abaixo da média das divisas com a perspectiva de uma desaceleração mais severa da China, que ocorre ao mesmo tempo em que os rendimentos sobre os Treasuries avançam.

“Do lado dos juros, a desaceleração do crescimento da China é amplamente favorável, mas os rendimentos dos EUA, não, e, após a [decisão da] Opep [de aumentar a produção de petróleo dentro do planejado], o mercado pode precisar ver um pico no petróleo antes que haja apetite por uma posição vendida [aposta na queda dos juros]”, escrevem os profissionais do Citi em relatório.

O avanço do juro americano também incorpora relativa cautela do mercado sobre o impasse com o aumento do teto da dívida americana, cujo prazo final de ajuste para que não haja “default” é 18 de outubro. Segundo o Rabobank, em comparação a episódios anteriores, o prêmio de risco implicado sobre os Treasuries em caso de calote ainda é modesto desta vez. Como o impasse ocorre dentro do próprio Partido Democrata, “os mercados podem assumir que o risco de um ‘default’ do governo dos Estados Unidos é menor”, escrevem os estrategistas Bas van Geffen e Philip Marey em relatório.

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