Juros caem seguindo Treasury e commodities em pregão de temores com China

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20/09/2021

Em uma sessão de aversão global a risco, os juros futuros tiveram queda, à medida que os investidores elevaram o temor com o desempenho econômico global mantendo a China no foco. Dada a perspectiva de calote da gigante incorporadora chinesa Evergrande e o contexto operacional desafiador para o setor imobiliário chinês, agentes financeiros contemplavam a redução na demanda por commodities, como minério de ferro e petróleo, reduzindo na margem o prêmio de risco associado à inflação da curva de juros.

O movimento das taxas locais também esteve em linha com a curva de rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries).

No fim do pregão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 7,09% no ajuste anterior para 7,08%, e a do DI para janeiro de 2023 recuou de 9,05% para 8,995%. Nos trechos de maior prazo, o juro do contrato para janeiro de 2025 anotou queda de 10,22% para 10,14%, ao passo que o do DI para janeiro de 2027 caiu de 10,64% para 10,55%.

Riscos de default

Os investidores continuaram monitorando a recente deterioração no cenário macroeconômico da China, com os crescentes riscos de default da Evergrande. Os temores foram os responsáveis por grande parte da aversão a risco observada nos mercados globais, mas, diante da possibilidade de desaceleração ainda mais intensa da economia global, os juros futuros se ajustaram em queda, em linha com as curvas ao redor do mundo. Por volta de 16h, o rendimento (yield) da T-note de dez anos recuava para 1,312% e, no mercado europeu, o rendimento do Bund alemão de dez anos caiu para -0,318%, enquanto o retorno do BTP italiano de dez anos recuou a 0,715%.

“Muitas das notícias negativas imediatas podem já ter sido precificadas agora. Ainda assim, a situação continua fluida e é provável que haja alguns efeitos colaterais nos próximos dias e semanas”, apontam os profissionais da Deutsche Asset Management (DWS). Em nota, eles avaliam que, embora o cenário mais provável continue a ser o de uma reestruturação da dívida razoavelmente ordenada da Evergrande, “as preocupações com o pagamento de um título iminente na quinta-feira podem irritar ainda mais os mercados”.

O economista João Leal, da Rio Bravo, observa que o dia foi volátil para a curva, que, após abrir em alta, devolveu o movimento e fechou em queda. “O profissional da mesa de operações olha o cenário de hoje e a preocupação em torno da China como um sinal de menos crescimento e de menos inflação à frente. Ajuda a reduzir marginalmente a pressão sobre os juros com uma leve retirada do prêmio de risco ligado à inflação, que esteve muito conectada com os altos preços de commodities que vimos recentemente”, diz Leal.

O trader da mesa de derivativos da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno também pontua que a menor atratividade de ativos de risco no âmbito externo contribui para uma migração de fluxo de capitais para a renda fixa de longo prazo, reduzindo as taxas dos DIs longos. “Essa folga de hoje [na curva] também é em função de alguns exageros. Não dá para dizer que só por conta de um menor crescimento e uma folga nas commodities teremos vida fácil por aqui, olhando para a inflação de curto e médio prazo”, afirma o profissional.

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