Juros avançam com disparada do petróleo e Treasury no radar

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04/10/2021

Com a ameaça de uma inflação mais elevada e persistente no centro das atenções, os juros futuros encerraram a segunda-feira (4) em alta, mais pronunciada na parcela curta da curva a termo.

Finalizado o pregão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passou de 7,21% no ajuste anterior para 7,22%, enquanto a do DI para janeiro de 2023 subiu de 9,135% para 9,20%. Em vencimentos mais longos, o juro do DI para janeiro de 2025 variou de 10,165% para 10,22% e o do DI para janeiro de 2027 passou de 10,55% para 10,59%.

O volume de negociações ficou abaixo da média diária do ano, com agentes de mercado reagindo à disparada dos preços do petróleo no exterior, após a decisão da Organização dos Países Exportadores do Petróleo e aliados (Opep +) de elevarem a produção da commodity conforme o esperado, em um contexto de escassez da oferta de energia.

O trecho longo da curva a termo acompanhou os rendimentos (yields) sobre o título do Tesouro americano (Treasury) com vencimento em dez anos, que continuaram avançando e se aproximam da faixa de 1,50%.

Ao recomendar o plano de aumentar a produção da commodity dentro do planejado, a Opep e os aliados seguiram a linha de ajustar a oferta da commodity gradualmente em meio a preços mais altos. Ao mesmo tempo, eles reforçaram a avaliação de que a oferta no mercado de energia seguirá apertada — acentuando temores de inflação mundo afora e contribuindo para elevar as taxas de juros globais.

Como reação à decisão, os preços do petróleo renovaram as máximas recentes. O petróleo do tipo WTI, referência dos Estados Unidos, avançou mais de 2%, para US$ 77,62, no maior nível em quatro anos. Já o Brent, tipo de petróleo negociado em Londres, subiu 2,5%, para US$ 81,26 o barril, nas máximas de três anos.

O UBS aponta que a disparada dos preços do petróleo vista hoje baseou-se na percepção de que o cartel poderia ter aumentado a produção ainda mais, acima dos 400 mil barris por dia programados. O banco suíço espera que a Opep e os aliados permanecerão flexíveis para adicionar mais ou menos do que o programado à produção, quando as condições de mercado exigirem, prevendo que a demanda e a capacidade de produção voltem ao normal no segundo semestre deste ano.

Segundo o banco, “a dinâmica de preços, a sensação de inflação de energia derivada dos mercados de gás natural e o foco crescente no investimento no lado da oferta provavelmente estão levando o petróleo ao limite superior da faixa de incentivos de US$ 60 a US$ 80 por barril”.

Para a Garde Asset Management, a alta nos preços de energia contribui com o cenário de “tempestade perfeita” para a inflação no Brasil. Com o Banco Central sinalizando um ciclo de alta de juros maior do que o antecipado, a gestora aumentou a projeção de taxa Selic de 7,5% para 8,5%, patamar que deve ser atingido na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2022.

“Ainda que, na margem, essa pressão nos preços de energia tenha sido o principal fator para as revisões recentes das projeções de inflação, é inegável reconhecer que estamos vivendo um cenário de tempestade perfeita”, diz a Garde, em carta mensal, citando a inflação de bens industriais mais pressionada e a recomposição dos preços de serviços.

O sócio e estrategista-chefe do Modalmais, Felipe Sichel, ressalta que um diverso conjunto de preocupações externas, além da questão energética, como o caso Evergrande e os problemas na cadeia logística global, justificaram a performance negativa dos ativos locais. “Tudo isso contribui para um ambiente mais desafiador, com os juros dos Treasuries mais elevados, o que puxa os ativos de risco para baixo”, diz ele. Às 17h10, o rendimento sobre o Treasury com vencimento em dez anos voltava a avançar para perto de 1,5%, a 1,49%, de 1,463% no fechamento anterior.

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