IRB descontinuou 162 contratos em processo de revisão do portfólio

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

17/08/2021

O IRB Brasil Re finalizou no segundo trimestre o processo de revisão de contratos deficitários do portfólio, afirmou o CEO interino e vice-presidente executivo técnico e de operações, Wilson Toneto, durante coletiva com jornalistas. Segundo o executivo, a companhia descontinuou 162 contratos desde julho de 2020, dos quais 17 de grande impacto sobre os resultados.

Os contratos descontinuados representam cerca de 8% em relação ao portfólio do ressegurador. “Apesar de termos recusado esses negócios, também firmamos cerca de 239 novos negócios com novas taxas”, acrescentou.

O IRB apresentou um prejuízo líquido de R$ 206,9 milhões no segundo trimestre deste ano, frente a um prejuízo líquido de R$ 656,7 milhões no mesmo período de 2020, o que representa uma redução de 68,5% entre os períodos.

A companhia ressaltou que os resultados foram negativamente impactados pelos negócios descontinuados (run-off), com efeito de R$ 190,3 milhões. Houve uma compensação parcial de R$ 14,4 milhões referente a efeitos não recorrentes (one-offs), provenientes de despesas de tributos e administrativas que foram compensadas por crédito em impostos.

No primeiro semestre, o prejuízo líquido foi de R$ 156 milhões ante prejuízo de R$ 622 milhões no mesmo período do ano passado.

Apesar de ter completado a revisão do portfólio, a vice-presidente executiva de Resseguros, Isabel Blazquez Solano, explicou que os impactos dos contratos descontinuados ainda serão sentidos até 2023, mas com maiores efeitos negativos ao longo do ano passado e deste ano. Os efeitos financeiros de 2020 e 2021 serão mais significativos que em 2022 e 2023”, disse. “Mas, dos negócios que decidimos reter, conseguimos renovar 84% no acumulado do ano”, ponderou.

Segundo Toneto, a companhia registrou um aumento de geração de caixa. “Antes do processo de reestruturação o caixa tinha um processo negativo”, afirmou. “Agora acumulamos no primeiro semestre em caixa R$ 960 milhões, isso projeta para a companhia que, em algum momento, o resultado que está aparecendo no caixa irá aparecer no resultado econômico da companhia.”

O CEO interino explicou que o IRB gera caixa positivo há quatro trimestres consecutivos. “Isso não ocorria desde 2017”, pontuou.

O executivo informou ainda que o índice de solvência regulatória atingiu no fim do semestre passado 176% do necessário. Já no indicador de solvência total, que considera o patrimônio total da empresa, o indicador alcançou 273%.

O vice-presidente executivo de riscos, conformidade e jurídico, Carlos André Guerra Barreiros, colocou ainda que, com uma nova regra definida pela Susep, a partir de dezembro, a companhia não vai precisar constituir a margem de segurança de 20% sobre o capital mínimo regulatório, que será substituída por uma declaração detalhada dos processos de controle de riscos e solvência.

Além dessa liberação de capital, “a partir de agosto poderemos usar o capital mantido no exterior como redutores da cobertura das provisões técnicas, na ordem de R$ 535 milhões”.

No segundo trimestre, a participação dos contratos domésticos no portfólio subiu para 56% ante 45% dos negócios internacionais. Segundo Toneto, o resultado reflete a nova estratégia da companhia de maior foco no mercado brasileiro. “De 14 contratos que cancelamos neste ano, quase todos foram no exterior”, disse.

O vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores, Werner Suffert, lembrou ainda que, diante da liberação de capital com as novas regras da Susep e com a alta da Selic, o resultado financeiro deverá aumentar a participação positiva nos resultados gerais da companhia.

“A subida do juro básico vai ter impacto significativo para 2021, mas o efeito positivo maior será para os próximos trimestres, principalmente, os períodos que tiveram rodando com a taxa total.” Para Suffert, “para os ciclos futuros temos uma sinalização que no ambiente de aplicações vamos ter uma remuneração melhor, e junto com a menor despesa financeira por conta da mudança instrumento de garantia que temos no exterior, o resultado financeiro vai ajudar significativamente nos próximos trimestres”.

Em relação ao processo de escolha do novo CEO, o executivo-chefe interino afirmou que “com nomeação do novo conselho e a alteração e consolidação do estatuto social, temos as condições para finalizar o processo, o que deve ser anunciado nas próximas semanas”. Toneto informou ainda que o conselho da companhia estuda a possibilidade de voltar a divulgar guidance, “mas temos de ver o melhor momento para divulgar essas metas”.

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