Instituto Atlas: Para 56%, atos de 7 de Setembro não têm justificativa

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06/09/2021

Para a maioria dos brasileiros, as manifestações de 7 de Setembro, convocadas pelo presidente Jair Bolsonaro em apoio ao seu governo, não têm justificativa. É o que mostra pesquisa do Instituto Atlas divulgada nesta segunda-feira. Nela, 56% dos entrevistados fazem parte desse universo. Para outros 36%, os atos têm justificativa, e 8% não souberam responder.

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Há previsão de que o próprio presidente participe das manifestações de terça-feira em Brasília e São Paulo. Nessas duas cidades, também estão marcados protestos contra o governo. O instituto não perguntou se o eleitor tinha ou não conhecimento prévio das manifestações.

A maioria, 59%, também respondeu que “com certeza” não irá comparecer. Em direção contrária, 18% disseram que irão participar. O cientista político Andrei Roman, CEO do Atlas Intel, pondera ser improvável que 18% da população compareça às manifestações, mas destaca que esse percentual indica uma disponibilidade relevante de adesão.

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“A estratégia do presidente parece ser comprovar uma resiliência da base política dele e, com isso, colocar em dúvida os discursos baseados nas pesquisas e nas análises que apontam para a queda de sua popularidade. [Objetivo de] tentar mostrar uma realidade que na opinião dele é diferente”, diz.

Dentre as 3.146 pessoas entrevistadas, 511 responderam ser policiais militares, civis, federais e de outras categorias. Do total desse grupo, 35% disseram não ver justificativa para as manifestações, ante 36% que avaliam que já justificativa. Outros 29% não souberam responder.

Os temores de confronto entre os grupos favoráveis e contrários a Bolsonaro e da participação de forças policiais nos atos pró-governo preocupam autoridades estaduais. Preocupa também o teor de eventuais discursos do presidente e das agendas defendidas nos atos, cujos convites nas redes sociais são acompanhados de ameaças a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e defesa de golpe militar.

Em um cenário de atos massivos na terça-feira, Roman aponta para a possibilidade de uma dinâmica consistente de mobilização social nas ruas, contrárias e favoráveis ao governo, com o risco de “isso gerar uma paralisia em termos de governabilidade do país, gerar instabilidade institucional e todos os efeitos colaterais que isso trás”.

A pesquisa também perguntou a opinião dos eleitores sobre a democracia, que foi defendida por 84% dos entrevistados. Seis por cento responderam de forma contrária e 10% disseram souberam ou não quiseram saber. A maioria (78%) afirmou ser contra instalação de uma ditadura militar, ante 12% que disseram ser a favor e 11% que não responderam.

“Enxergo como limitada a chance de um risco de ruptura institucional amanhã, mas vejo o risco maior para essa dinâmica de polarização em que as pessoas deixam de confiar no processo democrático, nas eleições e nas instituições”, observa o CEO da Atlas.

Roman destaca o alto percentual de quem defende a democracia e da baixa adesão à ditadura militar, mas aponta para uma contradição: dentro dos apoiadores do presidente, a grande maioria defende a democracia, ao mesmo tempo em que parcela considerável (20%) também defende que o Exército possa tirar e colocar ministros no STF.

“Noventa por cento dos eleitores de Bolsonaro dizem que são a favor da democracia como forma de governo. A questão é que esse eleitor enxerga as ações do presidente e a democracia de forma peculiar. Do ponto de vista do eleitor bolsonarista e dos manifestantes que vão às ruas amanhã, eles não estão lutando contra a democracia, mas por uma democracia da forma como eles entendem. Isso é muito problemático. É uma defesa de democracia de conteúdo duvidoso.”

O instituto ouviu os eleitores por meio de questionário online, entre 30 de agosto e 4 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Por meio de anúncio publicitário, a consultoria dispara milhares de convites aleatoriamente para internautas da área a ser investigada. Ao clicar no convite, o eleitor é direcionado ao questionário do estudo. Segundo o instituto, mecanismos de segurança impedem que o respondente repasse a pesquisa a outras pessoas ou preencha mais de uma vez.

A amostra depois é estratificada para representar adequadamente o perfil da população brasileira adulta.

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