Inflação global retornará ao nível pré-pandemia em meados de 2022, prevê FMI

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06/10/2021

A recuperação econômica pós-pandemia continuará alimentando a alta nos preços em todo o mundo nos próximos meses, mas a inflação global deve desacelerar gradualmente até retornar aos níveis pré-covid em meados de 2022, segundo novas previsões divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quarta-feira (06).

Entre as economias avançadas, o FMI estima que a inflação atingirá um pico de 3,6% nos meses finais de 2021, antes de recuar para 2% na primeira metade do próximo ano, em linha com as metas das autoridades monetárias. Já os mercados emergentes verão uma alta mais acentuada na taxa, que deve chegar a 6,8%, para depois desacelerar para 4% em 2022.

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As previsões constam em um dos capítulos do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), que será apresentado na íntegra pela entidade durante uma reunião marcada para a próxima semana em conjunto com o Banco Mundial.

O fim do atual período de alta dos preços está no centro das discussões econômicas globais. De um lado, alguns economistas dizem que os estímulos fiscais trilionários injetados pelos países para conter as consequências da covid-19 podem superaquecer as economias, resultando em uma espiral inflacionária que se autoalimenta. De outro, estão os que avaliam que as pressões são transitórias e serão gradualmente controladas.

Analistas do FMI citam o debate econômico no relatório, mas afirmam que as expectativas de longo prazo para a inflação estão bem ancoradas. No entanto, eles admitem que as previsões estão repletas de incertezas e que há a possibilidade de que as pressões sobre os preços persistam por mais tempo.

Para a entidade, entre os riscos de que isso ocorra estão “o aumento nos custos de habitação, a sequência da escassez de oferta nas economias avançadas e em desenvolvimento, a pressão nos preços dos alimentos e as desvalorizações cambiais nos mercados emergentes”.

“Uma questão-chave é que combinação de condições poderia causar um aumento persistente da inflação, incluindo a possibilidade de que as expectativas não sejam sustentadas e ajudem a desencadear uma espiral ascendente e autoalimentável”, explicaram Francesca Caselli e Prachi Mishra, economistas da entidade, em uma nota que acompanha o relatório.

Na avaliação do FMI, os países terão que ficar atentos aos indicadores para agir com rapidez caso a inflação dê sinais de descontrole. Mas será preciso caminhar em uma linha fina entre a manutenção do apoio necessário para dar sequência à recuperação pós-pandemia e a adoção de medidas para controlar os preços crescentes.

Será importante também combater às expectativas dos atores econômicos em relação à alta dos preços. Para isso, o FMI diz que será preciso não só uma forte ação política, mas uma “comunicação sólida e confiável” por parte dos bancos centrais para ajudar a ancorar a inflação.

A alta dos preços, puxada especialmente pelos alimentos e pela energia, já está influenciando a economia global. Ontem, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, antecipou que a entidade cortará sua previsão de crescimento de 6% para este ano devido aos riscos apresentados pela inflação e à disparidade na vacinação contra a covid-19 entre os países.

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