Ibovespa tem pior pregão desde decisão do STF sobre Lula

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

08/09/2021

O risco político voltou a pesar na bolsa brasileira, queimando quase 5 mil pontos do Ibovespa apenas no pregão de hoje. Em um claro sinal do nervosismo dos investidores com uma piora da crise institucional, após os atos pró-governo ontem, o índice à vista fechou em queda de quase 4%, abaixo da faixa dos 114 mil pontos, no maior tombo desde 8 de março, quando decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) tornou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva elegível para as eleições de 2022.

Ao final do pregão regular, o Ibovespa fechou em queda de 3,78%, aos 113.413 pontos, não muito distante da pontuação mínima do dia, aos 113.172 pontos. O índice à vista não foi negociado em alta hoje, segurando-se na estabilidade na máxima (117.866 pontos). O volume financeiro do índice à vista somou R$ 27,4 bilhões, com a presença majoritária de instituições cujo perfil de clientes é estrangeiro na ponta vendedora.

O dólar também refletiu a crise e fechou a R$ 5,3276, alta de 2,93% e a máxima do dia. Este foi o maior salto do dólar em um único pregão desde 24 de junho do ano passado, quando a moeda subiu 3,36%. O real foi, assim, a pior moeda do dia com folga.

O responsável pela mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual digital, Jerson Zanlorenzi, lembra que o cenário político já estava bastante frágil, em meio às incertezas fiscais e a tensão entre os Poderes. “Mais do que uma piora da situação que já estava delicada, o mercado enxerga agora um cenário de maior dificuldade para uma melhora”, explica. Ele também chama a atenção para o comportamento dos demais ativos locais, com destaque para as taxas longas de juros futuros (DIs) a partir de janeiro de 2025, já na faixa de dois dígitos.

“O aumento da atratividade da renda fixa também fez preço na bolsa”, avalia o chefe da mesa de renda variável da Manchester Investimentos, Rodrigo Ferreira. Para ele, os preços dos ativos refletem uma antecipação do cenário eleitoral e também o risco de uma ruptura institucional. “É um caso extremo, de um impeachment, por exemplo”, observa.

Porém, o especialista em renda variável da Manchester ressalta que se tal ruptura mais grave não se confirmar, surgem oportunidades de compra. “Mas tem de ser algo gradual, dada a turbulência e a volatilidade do ambiente”, conclui Ferreira.

Nesse sentido, Zanlorenzi, do BTG, avalia que é preciso aguardar para ter mais clareza em relação ao horizonte em Brasília. “O mercado exagera nos movimentos, mas se houvesse risco de ruptura, o mercado estaria mais estressado”, avalia o responsável pela mesa de renda variável e derivativos.

De qualquer forma, o comportamento do mercado doméstico hoje reflete as preocupações com os desdobramentos dos atos pró-governo ocorridos ontem. “Para o mercado, a economia é o que importa e as tensões políticas e sociais aumentam o risco de uma deterioração ainda maior do ambiente macroeconômico”, explica um diretor da tesouraria de um banco estrangeiro.

Na mesma linha, o economista-chefe Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, avalia que a piora do ambiente macroeconômico vai ocasionar consequências negativas. “E isso acaba afetando o crescimento econômico e os investimentos”, explica.

Com isso, o investidor que estava com elevada exposição ao risco começa a ficar desconfortável e reduz posição, castigando a renda variável. Essa redução da alavancagem é refletida no acionamento de ordens de stop loss (perda máxima aceitável) e na queda generalizada das ações que compõem o Ibovespa.

Das 91 ações, apenas cinco figuram no campo positivo, com destaque para o salto de Localiza ON (+8,03%) e Unidas ON (+7,23%), em reação à decisão do Cade ontem. Já os papéis de maior peso no Ibovespa (blue chips) tiveram forte queda: Petrobras ON caiu 5,22% e Petrobras PN recuou 5,82%, Bradesco PN perdeu 5,45% e Itaú Unibanco PN teve queda de 4,91%, enquanto Vale ON cedeu 2,30%.

No topo da lista negativa, a estreante da carteira teórica desde a última segunda-feira, Meliuz ON, desabou 11,36%.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *