Ibovespa sobe no dia com oportunidades de compras, mas cai 2,59% na semana

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

20/08/2021

Após uma queda de quase 10% desde o pico histórico do Ibovespa, os investidores dão sinais de que voltam a buscar ativos no mercado local de renda variável. Assim, o principal índice da bolsa brasileira conseguiu enfileirar o segundo consecutivo de alta, devolvendo parcialmente as perdas semanais.

O Ibovespa fechou o pregão com ganhos de 0,76%, aos 118.052,77 pontos, oscilando entre os 116.040 pontos nas mínimas do dia e aos 118.308 nas máximas intradiárias. No acumulado da semana, o índice teve queda de 2,59%. O volume financeiro negociado nas ações do índice foi de R$ 21,93 bilhões.

Mesmo em meio à “tempestade perfeita”, termo que os investidores vêm utilizando para descrever o cenário pelo qual os ativos brasileiros atravessam, parte dos agentes financeiros começa a enxergar boas oportunidades de compra nas ações locais.

Apesar dos riscos políticos e fiscais em Brasília e um mercado externo mais desafiador, os resultados corporativos, na visão dos analistas, vêm se mostrando sólidos e têm provocado uma distorção entre os preços das empresas e seus fundamentos.

“Quando você olha no micro, observando os resultados das empresas, a bolsa está extremamemente barata. Olhando para ações individualmente, dá até vontade de comprar tudo”, afirmou o gestor da Vitreo, Rodrigo Knudsen.

Hoje, empresas mais ligadas à economia local voltaram a puxar a recuperação do índice, como aconteceu na véspera. Os setores elétrico, de varejo, consumo, supermercados, saúde e tecnologia registraram desempenho positivo, devolvendo parcialmente as perdas apresentadas ao longo da queda do Ibovespa. “A gente olha para o longo prazo e continuamos bem posicionados em bolsa, porque aguentamos a volatilidade. Uma hora os preços voltam para os níveis justos”, aponta.

Do ponto de vista dos valuations, o J.P. Morgan também avalia as ações locais como excessivamente baratas. “Gostamos de dizer que o Brasil está barato. Mas atualmente está além de barato. O Brasil vem sendo negociado em níveis deprimidos pelas métricas de preço por lucro (PL) em relação aos últimos 15 anos”, afirmam os estrategistas de ações para Brasil e América Latina da instituição.

Os estrategistas apontam que o nível atual de 7,9 vezes o PL está dois desvios padrão abaixo da média histórica, nível também coloca o Brasil, pela métrica, na posição de mercado emergente mais barato, com exceção da Rússia e Turquia.

Segundo o banco americano, a recente queda do índice pode ser explicada, principalmente, pela volatilidade elevada no mercado doméstico de renda fixa, com a taxa do título local de 10 anos chegando a subir 200 pontos-base nos últimos 45 dias, em meio ao cenário conturbado de riscos fiscais e políticos.

Contudo, na visão da equipe de estratégia de ações para América Latina e Brasil do J.P. Morgan, o cenário global ainda é saudável para a tomada de risco, o que deve favorecer, de maneira geral, ações, mercados emergentes, ativos cíclicos e a estratégia de Value. “O Brasil se encaixa bem nesse contexto. Além disso, quando analisamos do micro para o macro, nos múltiplos atuais, achamos que o Brasil é uma boa oportunidade de compra para um horizonte de curto a médio prazo”, afirma a equipe da instituição, liderada por Emy Shayo Cherman.

Alexandre Sabanai, gestor de portfólio da Perfin Investimentos, enumera quatro como os principais riscos para o mercado doméstico. A alta da inflação e seu impacto nas taxas de juros; um possível recrudescimento da pandemia; o cenário de turbulência política, que se traduz em um quadro de maior risco fiscal e a crise hídrica e seu impacto no setor elétrico.

De acordo com ele, o mercado pode ter “pesado a mão” na precificação de alguns desses cenários – em especial, o da inflação e dos juros. Ao mesmo tempo, os resultados corporativos do segundo trimestre mostraram uma tendência de melhora das empresas ao longo do trimestre.

“Comparando os preços do mercado com os dados operacionais, ou a tendência de melhora, eu acredito que muita coisa ficou atraente”, afirma. Ele pondera que é possível traçar um quadro caótico para todas as frentes de risco citadas por ele, mas que isso não é o cenário-base. “Algumas empresas boas, que possuem crescimento endógeno e podem caminhar com as próprias pernas independente dos cenários macroeconômicos, ficaram com preços atraentes”, afirma o gestor.

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