Ibovespa recua com investidores atentos a riscos políticos e fiscais

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

10/08/2021

O principal índice da bolsa de valores local opera em baixa nesta tarde de terça-feira, em um dia em que as empresas ligadas a commodities avançam enquanto companhias mais ligadas ao cenário de retomada da economia local registram queda.

Perto de 14h50, o Ibovespa operava em queda de 0,39%, aos 122.535 pontos. Na mínima do dia, o índice ficou em 122.376 pontos e, na máxima, marcou 123.513 pontos. NO giro financeiro era de R$ 13 bilhões, com volume projetado para R$ 19,9 bilhões ao fim do pregão.

Segundo profissionais de mercado, há poucos catalisadores para justificar uma alta mais robusta das ações locais, já que os resultados corporativos positivos das empresas já vinham sendo precificados pelos investidores, ao passo que os riscos políticos e fiscais em Brasília continuam diminuindo o apelo por ativos de risco.

As ações da Vale ON subiam 1,18%, enquanto os papéis ON da Petrobras avançavam 0,69%. Itaú PN caía 1,28% e Bradesco ON recuava 1,14%.

“Você tem uma economia se recuperando, saindo lentamente da crise da pandemia e resultados melhorando. Mas o ruído político e fiscal é muito grande. Isso já não ajuda o investidor local, que olha muito no detalhe, mas para o estrangeiro é pior”, afirma o gestor da Infinity Asset, Fernando Siqueira.

Segundo ele, o cenário de risco político elevado provoca uma situação desconfortável, que acaba retirando o apelo por ativos de risco. “Vale observar o que aconteceu na América Latina, que passou por sucessivas crises políticas e a região acabou abandonada pelo investidor estrangeiro. Não estamos nesse mundo ainda, mas essas discussões têm nos atrapalhado nos últimos meses”, afirmou.

No noticiário relacionado aos problemas fiscais, os secretários do Tesouro, Jeferson Bittencourt, e especial do Tesouro e do Orçamento, Bruno Funchal, falaram em coletiva a respeito da PEC que permite o parcelamento de precatórios (dívidas decorrentes de decisões judiciais).

Bittencourt disse que o parcelamento de precatórios estará sujeito ao teto de gastos, enquanto Funchal pontuou que o crescimento dos precatórios em 2022 consumiria todo o espaço do teto de gastos, o que inviabilizaria, entre outros gastos, o novo Bolsa Família que o governo quer aprovar.

A coletiva dos integrantes do governo provocou oscilação limitada no Ibovespa, que vinha exibindo sensibilidade elevada ao assunto nos últimos dias. “A explicação foi convincente”, avalia o gestor da Infinity Asset, para quem precisa haver uma previsibilidade maior nesse tipo de despesa, para que ela não consuma uma parte excessiva do Orçamento.

Para Siqueira, o mercado deve ter pela frente meses de retornos menores do que ocorreram desde o 2020, com mais volatilidade.

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