Ibovespa não acompanha alta de Wall Street e tem ganhos modestos

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

05/10/2021

Mesmo tendo acompanhado o tombo em Nova York na véspera, o Ibovespa não mostrou força para seguir a alta observada nos principais índices de Wall Street hoje, diante de um cenário ainda nebuloso para alocação em mercados emergentes.

Assim, o principal índice do mercado local de ações encerrou o dia próximo da estabilidade, ainda no patamar dos 110 mil pontos. O Ibovespa subiu ligeiros 0,06 %, a pontos, distante das máximas registradas ao longo do dia, quando marcou 111.691 pontos, em alta de 1,17%. O volume financeiro agregado negociado na B3 hoje foi de R$ 29,94 bilhões.

Em Nova York, as altas foram bem mais robustas. O Dow Jones subiu 0,92%, o S&P 500 avançou 1,05% e o Nasdaq anotou ganhos de 1,25%.

Participantes do mercado vêm afirmando que, além de uma série de questões ainda não solucionadas no ambiente doméstico, o cenário externo se mostra menos convidativo à tomada de risco nas últimas semanas.

Entre os receios, a alta persistente de preços ao redor do mundo e seus impactos nas taxas de juros de mercado, com a possibilidade de uma retirada mais rápida de estímulos monetários pelos principais bancos centrais do mundo, vêm sendo acompanhados de perto por agentes financeiros. Hoje, o rendimento da T-note de 10 anos subiu a 1,532%, de 1,482% do encerramento anterior.

Somando preocupações oriundas da China, o cenário fez do mês de setembro o pior mês para ações emergentes desde o auge da crise provocada pela pandemia de covid-19 nos mercados, em março de 2020. Os destaques negativos na classe de ativos foram as ações brasileiras, que recuaram 14,6%, em dólares americanos, segundo o MSCI Brazil – pior desempenho em setembro dentro do mundo emergente. No mesmo período, o MSCI EM caiu 4,2% e as ações da América Latina (MSCI EM Latin America) recuaram 11,4%.

“Um cenário político complicado, inflação de dois dígitos em ritmo acelerado, incertezas quanto à recuperação econômica e riscos decorrentes da China como a desaceleração econômica e a novela de Evergrande foram os principais motivos para a queda”, afirmam os estrategistas do J.P. Morgan.

“Quando você tem um cenário macro mais difícil, com desaceleração no crescimento da China, a questão da Evergrande e inflação persistente ao redor do mundo, com possíveis altas de juros, nós, emergentes, sofremos mais”, afirma Rafael Cota, gestor de renda variável da Inter Asset.

Segundo o gestor, em um reflexo de um cenário global mais desafiador, a Inter Asset promoveu uma pequena rotação de sua carteira, reduzindo exposição à Vale, que deixou de ser a maior posição do fundo e aumentando posições em empresas de caráter mais defensivo, como Equatorial e Eneva.

Dentre as blue chips hoje, os papéis ON da Vale recuaram 0,72%. Petrobras ON e PN mantiveram a tendência de alta dos últimos dias, embaladas pelos preços do petróleo no mercado internacional. As ações subiram 1,67% e 2,19%.

Bancos também foram destaques positivos. Itaú PN subiu 2,42%, Bradesco ON avançou 2,33% e Banco do Brasil ON teve ganhos de 4,76%.

Mesmo após a queda recente das ações locais, o Bank of America (BofA) manteve sua recomendação “acima da média de mercado” para os ativos de renda variável local. “Continuamos com exposição acima da média em México e Brasil e não temos exposição doméstica aos países andinos. No Brasil, gostamos de bancos, temas ligados à reabertura, inflação e alguns nomes globais, como Petrobras, JBS e adicionamos recentemente WEG ao portfólio. Foco na qualidade”, afirmam os analistas do banco americano.

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