Ibovespa fecha em queda, sob peso de incertezas locais

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

10/08/2021

As incertezas domésticas voltaram a pesar no mercado de renda variável, levando o Ibovespa a um novo pregão de perdas. Riscos políticos, fiscais e incertezas acerca do ciclo de aperto monetário foram apontados como fatores que reduziram o apelo dos agentes financeiros por ativos de risco nesta terça-feira. Assim, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,66%, aos 122.202,47 pontos, próximo da mínima intradiária de 122.061 pontos. Na máxima do dia, o índice subiu aos 123.021 pontos. O giro financeiro foi de R$ 19,9 bilhões.

O pregão de hoje foi marcado por dois movimentos antagônicos. Enquanto as ações de empresas de commodities pegaram impulso de um cenário externo mais favorável e fecharam o dia em alta, os papéis relacionados ao ciclo de crescimento da economia local mostraram desempenho bastante fraco.

As ações da Vale ON, por exemplo, subiram 0,96%. As ações de siderúrgicas também exibiram alta firme, com ganhos de 2,54% nos papéis PN da Gerdau e +2,70% nas PNA da Usiminas. A Petrobras PN fechou o dia em alta de 0,32% e a PetroRio ON avançou 6,48%.

Por outro lado, investidores relataram desconforto com o clima de risco político diante da votação da PEC do voto impresso, do desfile militar na Esplanada dos Ministérios e das recentes tensões entre líderes dos poderes da República. “Você tem uma economia se recuperando, saindo lentamente da crise da pandemia e resultados melhorando. Mas o ruído político e fiscal é muito grande. Isso já não ajuda o investidor local, que olha muito no detalhe, mas para o estrangeiro é pior”, afirma o gestor da Infinity Asset, Fernando Siqueira.

Segundo ele, o cenário de risco político elevado provoca uma situação desconfortável, que acaba retirando o apelo por ativos de risco. “Vale observar o que aconteceu na América Latina, que passou por sucessivas crises políticas e a região acabou abandonada pelo investidor estrangeiro. Não estamos nesse mundo ainda, mas essas discussões têm nos atrapalhado nos últimos meses”, afirmou.

Participantes do mercado também apontaram uma influência negativa das declarações do diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, nas ações locais. Segundo ele, a instituição vai fazer o que for necessário para entregar o centro da meta no horizonte relevante — em 2022 e 2023. “Essa é a sinalização do BC e isso diz tudo”, enfatizou o dirigente durante evento on-line promovido pelo Goldman Sachs.

Ele também reiterou que o Comitê de Política Monetária (Copom) enxerga uma balanço de riscos assimétrico para cima, ou seja, com uma tendência de que a inflação possa subir acima do projetado para o horizonte relevante. “A gente acha que o risco é [a inflação] ser para cima e temos de ter uma política monetária para compensar isso”, pontuou.

O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, classifica a mensagem como correta, diante da necessidade de ancorar as expectativas de inflação no país, mas reconhece que a perspectiva de que os juros possam subir mais do que os participantes do mercado esperavam é negativa para a bolsa local.

Ele ainda ressalta que Serra se mostrou menos otimista com a atividade no fim do ano e preocupado com as projeções – o que preocupa devido à credibilidade elevada da instituição.

Assim, quase todas as companhias do Ibovespa mais ligadas ao ciclo de crescimento da economia local terminaram o pregão em queda. Os bancos lideraram as perdas, com os papéis PN do Itaú recuando 1,76% e as ações ON do Banco do Brasil fechando em queda de 2,54%.

Construtoras, locadoras de veículos, concessionárias de rodovias e shoppings registraram desempenho negativo. As ações da MRV ON caíram 2,03%, Localiza ON caiu 2%, CCR ON recuou 2,89% e os papéis da Iguatemi ON fecharam em queda de 3,74%, pressionados também pelos resultados do segundo trimestre.

Rodrigo Moliterno, sócio da Veedha Investimentos, ressalta que as empresas do país vêm entregando resultados robustos na atual temporada de balanços, mas que o ambiente macroeconômico segue desafiador.

“Pelos resultados que a gente vem acompanhando, você vê que, no ambiente microeconômico, as empresas se organizaram, deram resultado e estão produzindo. Houve aumento de receita, e a demanda está crescendo. Os resultados estão bem acima das expectativas dos analistas”, afirma o executivo.

“O que nos emperra é sempre esse nosso ambiente macroeconômico. Não pode estar tudo caminhando tranquilamente que sempre tem algum fato para destoar. Hoje as perspectivas sobre os juros, a reforma tributária e o risco político deram um pouco de desânimo, apesar dos resultados das empresas”, afirmou.

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