Ibovespa fecha em alta após três quedas seguidas

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

19/08/2021

Tempestade perfeita” é o termo que agentes financeiros vêm utilizando para descrever o atual cenário pelo qual atravessam os ativos brasileiros. Com riscos domésticos latentes e um cenário externo que se mostra cada vez mais desafiador, o Ibovespa deu mostras de que emendaria a quarta sessão consecutiva de perdas hoje. No entanto, a queda já expressiva dos últimos dias, aliada a certo alívio nas taxas longas de juros, abriu espaço para que compradores voltassem às ações locais e o índice esboçasse uma recuperação no pregão.

O Ibovespa fechou o dia em alta de 0,45%, aos 117.164,69 pontos, não tão distante das máximas intradiárias, de 117.453 pontos.

A alta, no entanto, não veio de maneira linear. Comum nos últimos pregões, a volatilidade foi elevada e, nas mínimas, o índice marcou 114.801 pontos, em queda de 1,57%.

Já pressionado por um cenário doméstico conturbado nas últimas semanas, os ativos locais também passaram a enfrentar um mercado externo mais desafiador. Assim, os mercados globais amanheceram com uma postura mais cautelosa, após a ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) ter apontado que os membros deram sequência às discussões sobre as compras de ativos e com incertezas persistentes vindas do mercado asiático, especialmente na China.

“Tem acontecido isso nos últimos dias, os mercados têm sido sempre mais pesados na madrugada e vão se recuperando ao longo do dia. Isso é reflexo dos riscos maiores que entraram no radar vindos da Ásia”, afirma o gestor de ações da ASA Investments, Leonardo Morales, citando riscos regulatórios na China, temores sobre o crescimento e a disseminação da variante delta da covid-19.

O reflexo do receio dos investidores ficou mais uma vez transparente nos preços das commodities. O minério com teor de 62% de ferro encerrou o dia com queda de 13,5% no porto de Qingdao, negociado a US$ 132,66 por tonelada, em seu menor nível desde dezembro de 2020. O petróleo Brent, por sua vez, fechou em queda de 2,60%, aos US$ 66,45 o barril na ICE, em Londres.

O reflexo foi direto nas ações de empresas ligadas a commodities e de indústria de base. Os papéis da Vale ON terminaram o pregão em queda de 5,71%, enquanto os papéis ON da Petrobras recuaram 0,95%. CSN ON, Usiminas PNA e Gerdau PN caíram 5,78%, 5,69% e 3,52%, respectivamente.

Mesmo assim, o dia foi de recuperação das ações ligadas à economia local, que conseguiram interromper a quarta queda consecutiva para o Ibovespa. Analistas apontam que o dia de maior alívio nas taxas longas de juros abriu espaço para uma recuperação dos ativos. “Os eventos lá de fora justificariam uma queda da bolsa”, pondera Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos.

O estrategista aponta que as empresas ligadas ao setor de tecnologia no ranking das maiores altas do Ibovespa hoje é um reflexo do alívio de parte da pressão nas taxas de juros de longo prazo. “As empresas de tecnologia têm como característica resultados financeiros maiores no futuro e surgem como oportunidade de compra quando as taxas longas recuam.”

Iram Siqueira, gestor da mago Capital, observa que a própria queda nos preços das commodities contribui para um ajuste parcial nas expectativas de inflação, o que também traz certo alívio para outros ativos de risco.

A recente queda das ações, segundo ele, abre oportunidades em alguns papéis, especialmente em empresas sólidas e que ocupam posições de liderança em seus respectivos setores. “A gente aproveita o momento para aumentar posição em empresas sólidas, líderes em seus setores. O processo de fusões e aquisições deve se aprofundar e, mesmo com condições macroeconômicas mais adversas, com taxas de juros mais altas, esta categoria de empresa deve ser mais resiliente”, afirma.

Chefe de ações e derivativos do BTG Pactual Digital, Jerson Zanlorenzi lembra que movimento de correções nas bolsas são comuns. “O que temos visto esses dias nas bolsas globais, e aqui vai a reboque, é uma correção. Está havendo um movimento bem intenso em petróleo e em commodities, mas é um ajuste que tem fim. Não há uma mudança estrutural que vai impulsionar desaceleração forte da economia e que justifica uma queda tão forte em ações e commodities”, afirma o profissional

Segundo ele, o Ibovespa está se aproximando de um nível de suporte. “O ajuste de preço de Petrobras e siderúrgicas tem ocorrido e estamos chegando perto de um suporte, que seria essa região próxima de 113 mil pontos.”

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