Ibovespa fecha a semana em queda em meio a riscos fiscais e políticos

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

13/08/2021

O Ibovespa testou a faixa dos 120 mil pontos hoje, em seu menor nível em três meses, mas conseguiu esboçar uma reação no fim do dia para encerrar o pregão em alta. A queda semanal, no entanto, não foi evitada. Na visão de participantes de mercado, o noticiário político e fiscal se deteriorou amplamente ao longo dos últimos dias, provocando alta nos juros de longo prazo e reduzindo a demanda por ações.

O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 0,41%, aos 121.193,75 pontos, após ter recuado aos 120.045 pontos nas mínimas do dia, em queda de 0,54%. Na semana, o índice caiu 1,32%. Em Nova York, o S&P 500 subiu 0,16%, a 4.468,00 pontos, para um novo recorde. Movimento semelhante foi observado na Europa, onde o índice Stoxx 600 avançou 1,24% na semana e também terminou o período em máximas históricas.

O descolamento das ações locais com seus pares no exterior foi atribuído por analistas aos riscos no cenário doméstico, especialmente relacionados às questões fiscais e às tensões políticas entre os poderes da República.

Entre os motivos de cautela dos agentes, são citados as incertezas com a PEC dos Precatórios, a ampliação do Bolsa Família e a indefinição sobre a reforma do Imposto de Renda, que teve sua votação adiada para semana que vem. Segundo os investidores, as dúvidas ampliam a desconfiança com a disposição do governo em manter um perfil de austeridade fiscal e respeitar o teto de gastos.

O aumento na percepção de risco foi sentida, especialmente, nos juros longos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2031 saltou de 9,78% para 10,30% no fechamento de hoje. Com os juros longos se firmando no nível dos dois dígitos, a atratividade dos investimentos em renda variável começa a ser posta em xeque.

“Com os juros de 10 anos sendo negociados a 10,27%, você conseguiria travar sua carteira de investimento, por 10 anos, recebendo mais de 10%. Houve uma migração de fluxo para a bolsa quando as taxas caíram, e essa dinâmica pode se inverter agora”, comenta Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital.

Alerta semelhante é notado por João Paulo Fonseca, sócio da HCI Invest. “A gente já começa olhar para o custo de oportunidade de ficar com um risco maior e uma posição em bolsa e, por outro lado, ter um investimento de renda fixa que já entrega uma rentabilidade razoavelmente interessante”, afirma.

Vale ressaltar que os dois profissionais mantêm uma visão otimista para os ativos de renda variável local e esperam que, com uma calmaria maior no cenário político em Brasília, uma recuperação dos ativos locais deve ser esboçada, já que a bolsa local parece descontada em relação a seus pares.

Entre as blue chips, as ações da Petrobras voltaram a fechar em alta, reforçando o desempenho positivo para os papéis após a divulgação dos resultados robustos do segundo trimestre. As ações ON da estatal subiram 1,56% hoje e já acumulam ganhos de 8,80% no mês de agosto.

Já os papéis da Vale seguem pressionados pela oscilação nos preços do minério de ferro e por incertezas relacionadas à demanda chinesa. Hoje, as ações ON da mineradora recuaram 0,82% e registraram perdas de 1,28% na semana.

Hoje, ainda, o setor de e-commerce recuou de maneira ampla, após os resultados trimestrais divulgados pelas Lojas Americanas e Magazine Luiza. Na visão do gestor da Galapagos, ainda que os balanços tenham apontados números sólidos, a sensibilidade elevada dos investidores com o cenário macroeconômico doméstico contribuiu para um movimento de realização nos papéis.

“Os resultados corporativos vêm surpreendendo. No entanto, a Magalu, por exemplo, teve lucro melhor que o esperado, crescimento de vendas e o papel está realizando 3% hoje. O macro está atrapalhando o micro, contribuindo para um movimento de manada. O pessoal vende primeiro e depois vê que está acontecendo”, afirma.

As ações ON da Magazine Luiza caíram 3,34%, enquanto Americanas ON recuou 7,88% e Lojas Americanas PN caiu 9,13%, liderando as perdas do Ibovespa. Via Varejo ON fechou em queda de 6,38%.

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