Ibovespa busca recuperação, com riscos políticos ainda no radar

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

06/08/2021

O principal índice da bolsa brasileira opera em alta nesta sexta-feira e caminha para fechar a semana com ganhos ligeiros. O dia de recuperação ocorre após dois tombos seguidos e recebe impulso do bom humor externo, com os Estados Unidos divulgando um número melhor do que o esperado de criação de vagas em julho.

Os riscos fiscais e políticos permanecem no radar dos investidores e, há pouco, os ativos locais demonstraram melhora com o pedido do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para que o presidente Jair Bolsonaro e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, retomem o diálogo.

Às 14 horas, o Ibovespa operava em alta de 1,05%, para 122.913 pontos. No mesmo horário, o giro financeiro era de R$ 9,7 bilhões, com volume projetado para quase R$ 17 bilhões no fim do dia. No acumulado semanal, o Ibovespa registra alta de 0,9%.

O foco dos agentes do mercado financeiro é dividido nesta sexta-feira entre a cautela com os crescentes riscos políticos e fiscais e os resultados positivos das empresas do país, que inspiram otimismo.

De acordo com a LCA Consultores, o aumento da aversão ao risco nos últimos dias foi provocado por um ambiente político conturbado, com relações estremecidas entre a presidência da República e o STF. Além disso, a reabertura dos programas de renegociação de tributos atrasados, que pode desestimular a pontualidade no recolhimento dos impostos e a incerteza em torno da solução dos precatórios são motivos para a piora no sentimento dos investidores.

“Ontem, o Senado votou o Refis sem contrapartida. Ainda em pauta estão a pedalada dos precatórios e o aumento do Bolsa Família”, afirma Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office. “Isso tudo ainda deixa o mercado muito desconfortável e a gente percebe isso na curva de juros e na desvalorização do real”, diz.

Mesmo assim, o bom desempenho das empresas, que vêm reportando resultados satisfatórios na visão do mercado, ensejam uma recuperação das ações locais.

“Para o dia de hoje, acompanhar a discussão dos precatórios vai ser a tônica do mercado”, afirma o chefe de renda variável da Valor Investimentos, Romero Oliveira. Segundo ele, no entanto, apesar dos riscos políticos e fiscais seguirem provocando volatilidade, as empresas locais vêm cumprindo o seu papel e entregando lucros robustos, o que mantém o clima positivo para os ativos locais.

“O mercado está nesse momento de foco no risco político, mas, no fim do dia, a bolsa é lucro, e as empresas estão fazendo o trabalho delas”, afirma Oliveira. Ele vê com interesse especial as empresas ligadas ao mercado interno, como bancos, construtoras e varejo, que possam se beneficiar da reabertura econômica.

Os setores citados por Oliveira vão se destacando no pregão desta sexta-feira. Entre os bancos, o Banco do Brasil ON subia 3,18%, com ganhos de 3% nos papéis PN do Itaú e alta de 1,81% nas ações do Bradesco. As units do Santander subiam 3,38%.

A recuperação nas ações da Vale ON, que subiam 1,14%, também contribuía para os ganhos do Ibovespa. No dia anterior, a companhia recuou mais de 3%, pressionada pelo tombo nos preços do minério de ferro.

No cenário externo, os Estados Unidos geraram 943 mil vagas de emprego em julho, de acordo com o relatório oficial do Departamento do Trabalho americano. O total do mês de junho foi revisado para 938 mil novos empregos, de 850 mil na divulgação anterior.

“A recuperação do emprego está chegando a um ponto em que o Fed precisa considerar seriamente a redução das compras de ativos para evitar um excesso desnecessário da inflação. A economia tornou-se mais resiliente com surtos. Isso aumenta o risco de um erro de política e a necessidade de o Fed precisar atacar uma inflação indesejada, algo que não necessita fazer há décadas”, afirmou a economista-chefe da Grant Thornton, Diane Swonk.

Por um lado, o cenário de recuperação sólida americana é positivo para os mercados emergentes – o que inclui o Brasil -, mas a expectativa de elevação de juros e redução de estímulos antes do esperado também pode trazer dificuldades aos ativos locais.

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