Iata aprova proposta para atingir emissão líquida zero de carbono até 2050

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

04/10/2021

As aéreas ligadas à Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) votaram favoravelmente a uma proposta para se atingir emissão líquida zero de carbono até 2050. Antes, a meta era reduzir pela metade as emissões de CO2 até 2050, em relação ao volume registrado em 2005.

O setor tem sido bastante pressionado para reduzir suas emissões. As aéreas respondem hoje por cerca de 2% das emissões de carbono.

As emissões de dióxido de carbono (CO2), que em 2019 somaram 914 milhões de toneladas, um recorde histórico, caíram para 488 milhões em 2020 por causa da restrição a viagens durante a pandemia. Nos últimos anos, a poluição dos aviões vem aumentando.

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Diante o cenário, o setor havia assumido o compromisso de chegar em 2050 com 325 milhões de toneladas de CO2. A meta surgiu em 2010 dentro da Organização da Aviação Civil Internacional (Icao), agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a aviação civil internacional. Até agora, entretanto, as emissões da aviação comercial têm crescido, em linha com o tráfego. O esforço anunciado hoje durante evento da Iata, que representa 290 aéreas e cargueiras ao redor do mundo, vai na direção de cortar também essas 325 milhões de toneladas de CO2 da atmosfera.

“Como todas as indústrias, temos de reduzir ou eliminar as emissões”, disse Willie Walsh, diretor-geral da Iata. “As aéreas estão investindo milhões de dólares no setor”, acrescentou.

Entre as principais ferramentas para atingir essa meta está o combustível sustentável de aviação. A produção hoje, entretanto, está bastante aquém do que o setor precisa.

Dados da Organização da Aviação Civil Internacional (Icao) mostram que a produção comercial de combustível sustentável para a aviação (SAF, de “sustainable aviation fuel”) foi de 6,45 milhões de litros por ano durante 2016 e 2018.

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As maiores produções encontram-se em países da América do Norte e na Europa, que têm políticas públicas de incentivo ao uso de combustíveis renováveis. A estimativa é que se alcance 8 bilhões de litros por ano até 2032, o que é pouco perto da demanda total de combustível da aviação comercial no mundo, que foi de 363,4 bilhões de litros em 2019, segundo a dados da Iata.

Atualmente, os aviões poderiam voar com até 50% de combustível sustentável, mas falta produto no mercado. Um avião voando com uma mistura de 50% de querosene tradicional e 50% de SAF conseguiria reduzir a emissão de CO2 em até 40%. As fabricantes estão estudando aeronaves capazes de voar com 100% de SAF. A Boeing fez um voo de teste pela primeira vez em 2018.

O anúncio desta segunda-feira foi feito durante a 77º edição da Reunião Geral Anual da Iata, em Boston. O encontro é tradicional na associação e desta vez está sendo realizado de forma híbrida por causa da pandemia.

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