Frigoríficos ficam com 50% da capacidade ociosa em setembro

A suspensão das exportações para a China e a queda no consumo do mercado interno são os responsáveis

11/10/2021

Frigoríficos ficam com 50% da capacidade ociosa em setembro Cerca de 50% da capacidade dos frigoríficos brasileiros fica ociosa em setembro (Foto: Agência Brasil)

A consultora da Scot Consultoria, Jéssica Olivier, afirma que o maior exportador de carne bovina in natura do mundo (Brasil) estava com metade de sua capacidade e abate ociosos em setembro. A redução da capacidade instalada para essa função está interrompida devido a suspensão das importações pela China e retração na demanda doméstica.

Segundo Jéssica, a redução no abate acontece desde o ano passado e chegou ao seu nível mais ocioso em setembro deste ano, o mais alto desde que a Scot Consultoria iniciou sua série de pesquisa em 2012.

A consultoria lembra que o Brasil suspendeu voluntariamente as exportações no início de setembro. Foram registrados dois casos atípicos da doença da vaca louca. A Organização Mundial de Saúde Animal declarou que os casos não representam risco, mas a China ainda não autorizou a retomada dos embarques. E não dá sinais públicos sobre o assunto.

Em sua análise, a consultoria afirma que outros mercados como o Egito e a Arábia Saudita podem absorver o excesso da oferta, mas eles também pararam de importar após a notícia da doença. O forte consumo no varejo nos Estados Unidos levou país a dobrar as importações do Brasil, mas mesmo assim elas são poucas e não compensam o que não está sendo importado pela Chia.

Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank Brasil, especializado em agronegócios, disse à Scot que “não ter a China como importador é um golpe muito forte”. E conclui: “a dependência da carne bovina do Brasil em relação à China está aumentando bastante”. Em torno de 60% da carne bovina brasileira exportada esse ano tiveram a China como destino final.

Nesse momento, esse mercado conjuga a suspensão das importações pela China e a queda no consumo no mercado interno. “O consumo interno não está dando conta de absorver a carne que não está indo para a China”, disse a analista da Scot. “Algumas empresas estão alternando dias de abate, parando duas ou três vezes na semana”, afirma, além de lembrar que o “consumo per capita de carne bovina no País é o menor desde 1996, influenciado pelo alto desemprego e inflação”.

Caso o embargo se mantenha, outros países vão ser beneficiados. Entre eles, a Argentina e o Uruguai. A Argentina, que estava com as operações interrompidas, voltou a embarcar para a China na semana passada.

Alguns frigoríficos brasileiros conseguem furar o bloqueio. Marfrig e Minerva exportam de países como a Argentina e o Uruguai, onde mantêm plantas. A JBS usa suas instalações nos Estados Unidos

Da Redação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *