FMI reduzirá previsão de expansão global para 2021, diz Georgieva

Testes, férias coletivas e outras medidas compõem o Plano de Contingência da empresa para prevenção, controle e redução de riscos de contágio

05/10/2021

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse nesta terça-feira que a entidade reduzirá sua previsão para o crescimento da economia global em 2021 por causa dos riscos crescentes de inflação e das disparidades nas campanhas de vacinação contra a covid-19 entre os países.

Em julho, em seu relatório sobre o Panorama Econômico Mundial, o FMI havia previsto uma recuperação sólida de 6% para a economia global neste ano, após contração de 3,2% em 2020, por causa da pandemia.

No entanto, segundo Georgieva, os analistas do FMI estão menos otimistas sobre a recuperação após os surtos causados pela variante delta em muitas partes do mundo. Outra novidade é a inflação mais forte do que o esperado em muitas partes do mundo, estimulada pelos problemas com as cadeias globais de abastecimento.

“Os riscos e obstáculos para uma recuperação global equilibrada tornaram-se ainda mais pronunciados”, disse Georgieva durante um evento virtual organizado pela Universidade de Bocconi, em Milão, na Itália.

Para a diretora-gerente do FMI, uma inflação mais alta pode fazer com que os bancos centrais aumentem as taxas de juros, afetando ainda mais o crescimento econômico. O aumento dos preços dos alimentos e da energia são duas preocupações em particular.

Georgieva disse que ainda é possível atingir as metas de vacinação estabelecidas pelo FMI e outras instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), que elaboraram um plano ao custo de US$ 50 bilhões para imunizar ao menos 40% da população global até o fim deste ano, chegando a 70% no primeiro semestre de 2022.

“Caso contrário, grandes partes do mundo não serão vacinadas e a tragédia humana continuará”, disse ela. “Isso iria atrasar a recuperação. Veríamos as perdas do PIB global subirem para US$ 5,3 trilhões nos próximos cinco anos.”

O FMI divulgará suas novas previsões para a economia global na próxima terça-feira, quando realiza uma reunião anual em conjunto com o Banco Mundial. Além da luta contra a covid-19, as duas entidades também pretendem discutir os esforços para fornecer mais apoio para às mudanças climáticas.

Georgieva está sendo pressionada por uma investigação que a acusou de ter pressionado funcionários do Banco Mundial a alterar a classificação da China e de outros países no relatório “Doing Business”.

As descobertas fizeram o Banco Mundial cancelar a publicação do relatório e geraram pedidos para que a diretora-gerente do FMI renuncie ao cargo. Ela nega as acusações, que estão sendo analisadas pelo conselho executivo do FMI.

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