Expectativa é voltar ao teto da meta de inflação em 2022, diz Guedes

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10/09/2021

A inflação no Brasil está em seu pior momento e a expectativa é só voltar ao teto da meta do Banco Central (BC) no ano que vem, disse nesta sexta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes, no evento Credit Suisse Anual LatAm Equities. Segundo ele, a taxa deve começar a cair lentamente e chegar a 7,5% ou 8% até o fim do ano.

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Apesar disso, ele afirmou que está “muito positivo” porque o país manterá o teto de gastos e continuará seguindo as todas as regras fiscais. “Acho que vamos ser bem-sucedidos em conter inflação; temos os gatilhos fiscais”, comentou.

Guedes voltou a dizer que o déficit primário deve ficar em 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021 e em até 0,3% em 2022.

O ministro também afirmou que é um bom momento para se avançar na abertura da economia e informou que o Brasil conversa com a Argentina para reduzir taxas de importação.

Ele faltou também do avanço das reformas econômicas, que, segundo ele, permitirão trocar uma recuperação baseada no consumo para um ciclo sustentado de investimentos. Ainda sobre a economia brasileira, ressaltou o avanço do processo de vacinação, dizendo que “a ideia de preservar vidas e promover retorno seguro ao trabalho está funcionando”.

“Barulho”

Guedes também comentou a crise política e institucional provocada pelo presidente Jair Bolsonaro, voltando a chamá-la de “barulho”. Ao responder à pergunta de um investidor americano sobre as manifestações do 7 de Setembro, declarou: “Nunca aposte contra a democracia brasileira, porque ela vai surpreender”.

Ele disse que se tratava de uma ótima pergunta vindo dos Estados Unidos, onde haveria também uma democracia que “faz muito barulho”. No Brasil, “o barulho está muito alto especificamente agora”, disse.

Segundo o ministro, nos últimos dias, milhares de brasileiros foram às ruas celebrando pacificamente a data nacional e vestindo a bandeira de seu país como, fazem os americanos. Não houve violência, afirmou.

“De outro lado, atores, especificamente o presidente, pode ter ultrapassado [algum limite] em palavras… Mas e os atos?” Para ele, apesar das ameaças, Bolsonaro “está fazendo o máximo para jogar nas quatro linhas” – expressão usada pelo próprio presidente para dizer que ele respeita a Constituição.

Ainda segundo Guedes, o “fascinante” da democracia brasileira é que, quando um ator — seja ele ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), seja o presidente da República — ultrapassa o limite, as outras instituições atuam.

“Somos seres humanos e, às vezes, erramos. Mas temos instituições fortes”, afirmou. Se houve algum “erro ou mal-entendido”, o presidente divulgou nota na quinta-feira dizendo que não está convocando um movimento contra os outros Poderes, acrescentou.

Guedes reconheceu, por fim, que o que chama de “barulho” pode desacelerar crescimento. Para ele, porém, isso não muda a direção do governo. “Estamos na direção certa”, disse, acrescentando que o Brasil é o único país do mundo promovendo reformas em meio à pandemia.

Precatórios

O governo espera reiniciar na próxima semana o diálogo com os presidentes do STF, do Senado e da Câmara para retomar a agenda econômica, disse o ministro. O primeiro item é a questão dos precatórios, que precisa de uma solução, frisou.

Há duas iniciativas sobre a mesa para resolver a questão dos precatórios, informou. Uma é legislativa, a proposta de emenda à Constituição encaminhada pelo governo ao Congresso. Outra, uma sugestão de acordo feita pelo presidente do STF, Luiz Fux, e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.

A solução terá de deixar claro que a dívida dos precatórios será paga, disse Guedes. “Não há dúvida quanto a isso”.

Os mesmos economistas que dizem que o Bolsa Família precisa estar sob o teto de gastos dizem que precatórios precisam ser pagos integralmente em 2022, criticou. Ao propor a PEC dos Precatórios, o governo também busca previsibilidade sobre essa despesa, disse ele.

“É nosso dever constitucional para alertar os outros Poderes que todas as suas decisões têm consequências econômicas”, ainda afirmou. “Confio que vamos encontrar uma solução que respeite a execução das ordens judiciais e o teto.”

Reformas e privatizações

Guedes voltou a dizer que o governo Bolsonaro privatizará os Correios e a Eletrobras. Segundo ele, a venda de empresas estatais é a alternativa ao amento da carga tributária e, se a arrecadação continuar crescendo, haverá cortes em impostos e contribuições. O governo não permitirá que a alta das receitas sirva para chancelar crescimento das despesas, disse.

O ministro também afirmou estar confiante de que o Senado seguirá a Câmara e aprovar a reforma do Imposto de Renda (IR) e repetiu que a reforma tributária se dá em etapas.

Ele ainda ressaltou ainda que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se disse favorável a desindexar, desobrigar e desvincular despesas do Orçamento. O chamado “3D” chegou a ser proposta pelo governo, mas a discussão ficou prejudicada com a chegada da pandemia.

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