Endividamento das famílias chega a 59,2% e bate recorde

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27/08/2021

O endividamento das famílias chegou a 59,2% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central, e atingiu percentual recorde. O aumento foi de 0,9 ponto percentual no mês e, no acumulado em 12 meses, chega a 10 pontos percentuais.

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O indicador de endividamento representa a relação percentual entre o saldo das dívidas das famílias e a renda acumulada em doze meses, pela massa salarial.

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Já o indicador de endividamento que exclui o crédito imobiliário somou 36,5% em maio, ante 35,9% em abril. Nesse caso, o avanço em 12 meses é de 6,6 pontos percentuais.

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Ao apresentar os dados nesta manhã, o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, destacou o fato de que o comprometimento de renda das famílias com as dívidas tem apresentado uma alta mais moderada.

De abril para maio, passou de 30% para 30,6%. Com a exclusão dos empréstimos imobiliários, o indicador chega a 28% em maio, ante 27,5% em abril. Em 12 meses, o comprometimento de renda com pagamento de dívidas sobe 0,7 ponto percentual, na medida com e sem crédito imobiliário.

O comprometimento de renda é a relação entre o valor médio estimado para o pagamento do serviço das dívidas com a renda, apurada pela massa salarial mensal.

Rocha disse que a diferença de níveis entre a taxa de endividamento e do comportamento de renda com dívidas se deve ao crédito imobiliário, que têm dívidas mais altas de longo prazo, por isso parcelas relativamente menores em relação à dívida total.

Sobre o crescimento mais lento do comprometimento de renda, em comparação ao endividamento, Rocha citou dois fatores.

Primeiro, o BC usa nas suas estimativas o indicador de Custo de Crédito (ICC), que é calculado com base nas taxas contratadas ao longo do tempo no conjunto de empréstimos que ainda estão sendo pagos. Isso é diferente da estatística mais usada sobre os juros bancários, que usa a taxa cobrada nas concessões no último mês.

Como o ICC está no valor mais baixo da série histórica e refletiu pouco, por enquanto, o aperto monetário feito pelo BC, a despesa de juros das famílias está ainda baixa. Em outras palavras: as famílias estão mais endividadas, mas a taxas mais baixas contratadas no passado.

Outro fator que contribui para o crescimento mais lento do comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas é que a massa salarial vem crescendo. “Estamos vendo um crescimento importante dos empregos com o crescimento da renda”, disse Rocha.

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